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A desesperança na justiça e a banalização no uso da prisão preventiva. VIDE NOS COMENTÁRIOS ENTENDIMENTO CONTRÁRIO A ESTA TESE

 A desesperança na justiça e a banalização no uso da prisão preventiva.

A desesperana na justia e a banalizao no uso da priso preventiva

Por Daniel Lima

Neste artigo abordarei um pouco acerca da relação entre a banalização no manejo da prisão preventiva e a falta de esperança no Poder Judiciário.

Inicialmente, cumpre destacar que a prisão preventiva é a espécie de segregação cautelar mais ampla que temos, pois ela pode ser decretada tanto na fase inquisitorial (investigação preliminar) como também na fase processual, desde que antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória.

A prisão preventiva é uma medida de caráter excepcional e deve ser decretada respeitando-se o postulado da proporcionalidade, uma vez que, após o advento da Lei 12. 403/2011, ela passou a ser encarada como a última medida a ser utilizada para tutelar o processo.

Assim, quando estiverem presentes os elementos que autorizam a segregação cautelar a título de prisão preventiva, o magistrado deverá analisar se, no caso concreto, a prisão preventiva é imprescindível no fim de tutelar o processo, pois, caso entenda ser prescindível, o magistrado deverá adotar uma medida cautelar menos restritiva.

Em outras palavras, a prisão preventiva só será a medida cautelar adequada, caso a utilização de uma medida cautelar de natureza diversa da prisão, no caso concreto, se mostre infrutífera.

Ou seja, só haverá que se falar em decreto preventivo quando não for cabível a utilização de uma medida cautelar alternativa, pois a prisão preventiva deverá ser sempre a ultima ratio; o último instrumento a ser utilizado para resguardar o processo.

O artigo 282, § 6º, do CPP nos mostra de forma clara que a prisão preventiva é inadequada nos casos em que é possível a utilização de uma medida alternativa, podendo o magistrado utilizar as medidas alternativas de forma isolada ou cumulada, a depender da situação e da necessidade, obedecendo-se sempre o postulado da proporcionalidade.

Nesse diapasão, percebe-se que a prisão preventiva deve ser sempre a última providência a ser adotada, tendo em vista, ainda, a presunção de inocência, que limita a utilização do decreto prisional de natureza preventiva, fazendo com que o indivíduo só possa ser preso antes da sentença final, em casos excepcionais, pois o mesmo deve ser tratado sempre como inocente, do início ao fim do processo.

Assim, apesar de não existir incompatibilidade entre a presunção de inocência e a prisão preventiva, por possuírem finalidades distintas, não há como negar que a prisão do indivíduo antes da sentença final é algo bastante traumático para o mesmo.

E a prisão preventiva, por se tratar de um “mal necessário”, deve ser utilizada apenas em última análise, sendo complemente inidônea quando utilizada como forma de vingança ou para punir antecipadamente o acusado.

Assim, conforme já dito, apesar de ter como finalidade, única e exclusivamente, resguardar o processo, não fazendo, portanto, juízo algum acerca da culpabilidade do suposto agente delituoso, a prisão preventiva é uma medida bastante prejudicial e estigmatizante.

Partindo-se do que já foi exposto, nota-se que a prisão preventiva deve ser decretada de forma cuidadosa, obedecendo-se aos postulados da excepcionalidade e da proporcionalidade, tendo sempre em mente a presunção de inocência ou não culpabilidade, pois a decretação desarrazoada da prisão preventiva, conforme já dito, é algo muito maléfico.

Desse modo, deve-se evitar a banalização no uso da prisão preventiva, pois o processo penal, por si só, já é algo bastante doloroso, desgastante e que deixa marcas negativas no acusado. Sendo assim, a prisão preventiva, por ser um mal necessário, deve ser utilizada apenas nos casos de extrema e comprovada necessidade.

Nessa esteira, um dos fatores que tornam a prisão preventiva banal é quando a mesma é decretada em razão do clamor social gerado pela falta de credibilidade nas instituições, bem como quando ela é decretada em razão do clamor social gerado pela falta de crença nas instituições públicas (poder judiciário).

Ocorre que em virtude dessa suposta fragilidade das instituições, bem como em virtude da descrença da população no judiciário, decretos prisionais de natureza preventiva são expedidos diariamente, no intuito de combater a criminalidade e reestabelecer a crença das pessoas no judiciário e na justiça.

Em outros dizeres, o judiciário termina prendendo preventivamente para “fortalecer” as instituições e reduzir a sensação de impunidade, no intuito de diminuir, portanto, a sensação de insegurança que permeia por toda a sociedade. Existem decisões judiciais, espalhadas por todo o Brasil, nas quais a prisão preventiva é decretada com base única e exclusivamente na descrença da população no poder judiciário.

O grande problema reside no fato de que a prisão provisória, e mais especificamente a prisão preventiva, não tem por finalidade “fazer justiça” ou combater a criminalidade, já que essas funções é da polícia, e não do judiciário.

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: I – polícia federal; II – polícia rodoviária federal; III – polícia ferroviária federal; IV – polícias civis; V – polícias militares e corpos de bombeiros militares

Nota-se que a segurança pública é função do executivo e não do judiciário. O executivo é, portanto, o responsável por exercer a segurança das pessoas, sendo função precípua dos órgãos policiais preservar a ordem pública, a incolumidade das pessoais e de seus patrimônios.

Sendo assim, as policias, para satisfazem o mandado constitucional devem traçar políticas públicas voltadas ao combate da criminalidade, fazendo com que o índice de criminalidade seja reduzido, para que as pessoas possam viver em um ambiente de paz social.

Ante o exposto, nota-se que a utilização da prisão provisória/preventiva como medida de segurança pública, no escopo de combater a criminalidade e fortalecer a justiça e as instituições, é um argumento falacioso, pois a prisão provisória/preventiva deve ter por fim tutelar o processo, e não combater a criminalidade, até porque não é função do judiciário combater quem quer que seja.

É uma falácia. Nem as instituições são tão frágeis a ponto de se verem ameaçadas por um delito, nem a prisão é instrumento apto para esse fim, em caso de eventual necessidade de proteção. Para além disso, trata-se de uma função metaprocessual incompatível com a natureza cautelar da medida (LOPES JR, 2013, p. 114).

Assim, prender para satisfazer os anseios populares é algo inadmissível, pois a função do judiciário, conforme já dito, não é “fazer justiça”. Além do que, a prisão nessas condições viola teoria cautelar e configura uma antecipação da pena, visto que a única intenção que pode se visualizar é: punitiva.

HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO. RISCO À APLICAÇÃO DA LEI PENAL. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE ELEMENTOS CONCRETOS. PRESUNÇÃO DE FUGA. IMPOSSIBILIDADE. CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL. ENCERRAMENTO DE COLHEITA DA PROVA ACUSATÓRIA. ALTERAÇÃO DO QUADRO FÁTICO. POSSIBILIDADE DE FIXAÇÃO DE MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS COM A MESMA EFICIÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA CUSTÓDIA CAUTELAR. CONCESSÃO PARCIAL DA ORDEM […] 5. A jurisprudência desta Corte, em reiterados pronunciamentos, tem afirmado que, por mais graves e reprováveis que sejam as condutas supostamente perpetradas, isso não justifica, por si só, a decretação da prisão cautelar. De igual modo, o Supremo Tribunal Federal tem orientação segura de que, em princípio, não se pode legitimar a decretação da prisão preventiva unicamente com o argumento da credibilidade das instituições públicas, “nem a repercussão nacional de certo episódio, nem o sentimento de indignação da sociedade” (HC 101537, Relator (a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, DJe de 14-11-2011). 6. Não se nega que a sociedade tem justificadas e sobradas razões para se indignar com notícias de cometimento de crimes como os aqui indicados e de esperar uma adequada resposta do Estado, no sentido de identificar e punir os responsáveis. Todavia, a sociedade saberá também compreender que a credibilidade das instituições, especialmente do Poder Judiciário, somente se fortalecerá na exata medida em que for capaz de manter o regime de estrito cumprimento da lei, seja na apuração e no julgamento desses graves delitos, seja na preservação dos princípios constitucionais da presunção de inocência, do direito a ampla defesa e do devido processo legal, no âmbito dos quais se insere também o da vedação de prisões provisórias fora dos estritos casos autorizados pelo legislador. (HC nº 127.186/PR. Min. Relator: TEORI ZAVASCKI. Segunda Turma. Julgado em 28/04/2015)

Condenamos, portanto, o uso desenfreado e banal da prisão preventiva, bem como a sua utilização para fins não cautelares, pois a prisão preventiva é a ultima ratio na tutela processual. E, em razão disso, deve ser utilizada como último instrumento, tendo em vista os malefícios que por, si só, causa ao indivíduo.

LOPES JR. (2013) assevera que o uso maciço de prisões preventivas não é um problema legislativo, mas sim cultural.

Por fim, a título conclusivo, os presos provisórios, segundo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), correspondem a 34% da população carcerária brasileira, o que nos mostra o quão banalizada está a utilização prisão preventiva.

Sendo assim, surge o seguinte questionamento: a prisão preventiva é utilizada mesmo para tutelar o processo?

 


REFERÊNCIAS

LOPES JR, Aury. Prisões Cautelares. 4 ed. São Paulo. Saraiva. 2013.

NUCCI, Guilherme de Souza. Prisão e Liberdade: de acordo com a Lei 12.403/2011. 3 ed. São Paulo. Revista dos Tribunais. 2013.

Fonte: Canal Ciências Criminais

Portal Tributário

6 Comentários

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O eminente Ministro Rogério Schietti do STJ já falou diversas vezes sobre esse assunto como se pode ver em vídeos no YouTube. Brilhantemente ele demonstra como isso se dá em casos práticos e como o STJ tem decidido a respeito quando a fundamentação para a decretação da prisão preventiva não vem demonstrada por elementos concretos a pessoa do réu e à situação específica mas sim, utilizados termos genéricos que podem ser aplicados em todos os crimes, tornando regra o que é excepcional.

 

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Nobres colegas, obstante ao teor do texto, digo, alguns dos grupos dos direitos do manos, resolveram começar esta campanha depreciativa da prisão preventiva, teve início quando o judiciário começou a prender os bandidos do colarinho branco e os políticos de condutas nefastas e espúrias.

Antes, quando era o menos favorecido que era preso preventivamente, não havia defensores fervorosos, como esta ocorrendo agora. Quando as garras da justiça começou a chegar nos poderosos de condutas espúrias, o levante para desprestigiar o judiciário e Ministério Público no exercício de sua função veio a público, tendo com base, uma dialética sofista de que o judiciário encontra-se desacreditado e por isso, banalizou a prisão preventiva, Trata-se de uma prosopopeia flácida para acalentar bovino.

Sem nexo e fundamentos. Sei que há alguns membros do judiciário ramificados com os políticos de condutas espúrias, contudo, não se deve generalizar, o judiciário esta desempenhando o seu papel para colocar na cadeia esta quadrilha do colarinho branco. Não podemos olvidar, estamos enfrentando uma organização criminosa grande e bem estruturada para tomar de assalto os cofres públicos, não é tarefa fácil colocar estes calhordas na cadeia.

Agora, não estamos verificando banalização da prisão preventiva e sim, excessos de prisões decorrentes do excesso de grupos de criminosos travestidos de servidores públicos e de agentes políticos, sem mencionar a escalada criminoso que assola o país. A cultura da impunidade no país começou a sentir o gosto da derrota. Acostume-se, esta nova geração de juízes e promotores estão atuando para acabar com a cultura da impunidade. Não quer ser preso, não cometa crimes, seja um cidadão de bem.

Quer ser bandido experimente o gosto amargo da grade. Não há mais espaço no país para balelas, lugar de bandido é na cadeia, seja de forma preventiva ou condenatória. Não dá mais para suportar esta bandidagem, o judiciário esta no caminho certo.

Marcel Santos

1 dia atrás

REBELDES PRIMITIVOS

Com a Constituição de 1988 foram enaltecidos os direitos em detrimento das obrigações.

Os “rebeldes primitivos”, expressão emprestada do historiador marxista Erick Hobsbawm e adaptada ao contexto brasileiro, sufragados por intelectuais que abraçaram o pensamento do italiano “Luigi Ferrajoli, expresso na obra “Direito e Razão”, passaram a atuar em “terrae brasilis” em agressão à ordem estabelecida, ofendendo os membros da comunidade.

Aqueles despossuídos de prata, ouro, títulos e educação especial, agredidos pelos rebeldes, passaram a preconizar a aplicação draconiana das normas penais, com sustentação no pensamento do germânico Gunther Jabobs, resumido no livro “Direito Penal do Inimigo”. Acrescente-se, ainda, a aplicação das Teorias Econômicas Neoliberais no Brasil, sem qualquer meditação crítica, formando uma massa instável e violenta de perdedores, fato previsto pelo economista norte-americano, Edward Luttwak no livro denominado “Turbocapitalismo”.

Diante desse “inferno social” o Estado punitivo se enfraqueceu. A situação atingiu nível tão elevado de instabilidade, que obrigou o STF em sua missão de interpretação da Constituição e de pacificação social, lançar às masmorras, de forma mais expedita, os criminosos.

Em decorrência do atrito entre o pensamento do intelectual, preocupado com questões abstratas, e a dura realidade enfrentada pelo povo, principal vítima dos rebeldes, a Democracia soçobra.

A desesperança é tanta que em breve teremos esperança que haja uma melhora.

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Vou passando os dias e pesquisando as pessoas , ouvindo e analisando – eu lhe garanto, a desesperança com a justiça não é porque prende e sim porque na grande maioria dos casos NÃO prende e os anseios populares tem sim que ser levados em conta, é que a inversão de que a maioria não manda nada não é por sua vez correto, a meu ver pelo menos o negócio vai acertar quando fizerem o que a maioria quer, porque seria o contrário?

Concordo com o Dr. César Tolentino. Mas entre a lei e o povo tem o intermediário, o advogado, esse intelectual que procura interpretação para facilitar a vida dos bandidos.

A polícia prende e a justiça solta… Será mesmo?

A polícia prende e a justiça solta… Será mesmo?

A polcia prende e a justia solta Ser mesmo

Por Pedro Ganem

Todos já ouviram essa frase: a polícia prende e a justiça solta. Mas será que é verdade? Será que realmente as coisas funcionam desse jeito?

O primeiro ponto a ser visto é relacionado às prisões, como são feitas, qual o tipo mais comum, dentre outros.

Assim, basta uma simples análise do nosso sistema penal para perceber que a maioria esmagadora das nossas prisões são as prisões em flagrante.

Se a maior parte das prisões é em flagrante, quem atua é a Polícia Militar, que tem o papel ostensivo, não cabendo a ela a investigação.

Os policiais militares, atuando em uma situação flagrancial, abordam o indivíduo, apreendem os materiais relacionados ao crime, eventualmente conduzem alguma testemunha (o que é muito difícil de acontecer), e todos vão à Delegacia de Polícia realizar o auto de prisão em flagrante delito (APFD).

Nesse ponto, importante dizer que o Delegado pode arbitrar fiança em favor do preso, caso a pena máxima atribuída ao (s) crime (s) não ultrapasse 04 anos (art. 322 CPP), sendo que, caso o preso recolha o valor arbitrado, já sairá em liberdade da delegacia mesmo.

Ademais, segundo a legislação penal, a prisão em flagrante deve ser comunicada a um juiz no prazo de 24h, para que ele analise a legalidade do ato, bem como decida a medida a ser aplicada àquele indivíduo (prisão preventiva, fiança, tornozeleira eletrônica ou outra medida cautelar diversa da privativa de liberdade).

É nesse ponto que a afirmação “a polícia prende e a justiça solta” se enquadra com maior precisão.

Só que não são soltos, como muitos gostam de falar por aí, “estupradores”, “assassinos” e “sequestradores”.

As coisas não são assim.

Pode ser que um caso ou outro, por ilegalidade da prisão ou outro fator excepcional, aconteça da pessoa ser presa acusada de praticar um crime grave e seja solta pouco tempo depois da prisão, mas isso é exceção e, quando acontece, geralmente se dá pelo fato da prisão ser ilegal.

Se você que lê esse texto tem conhecimento da prática penal, deve saber que a tendência é que pessoas reincidentes, que tenha maus antecedentes ou que praticaram crimes graves, caso sejam presas, continuarão presas durante todo o processo.

Então, quem é solto logo depois da prisão? As pessoas presas acusadas de praticar crimes leves, de pequeno potencial ofensivo, geralmente primárias, as quais são as destinatárias das benesses legais.

E mais, temos que lembrar que nem todos os crimes são passíveis de prisão. Não é matemático: praticou conduta considerada criminosa, deve ser preso (ainda bem).

Sem falar que a regra é a liberdade e a prisão a exceção. Portanto, a princípio, todos têm o direito de responder o processo em liberdade e não o contrário, como costuma acontecer aqui por terras brasileiras.

Importante destacar que uma das condições para possibilitar a prisão preventiva de alguém está no artigo 313 do CPP, o qual estabelece que é admitida a prisão preventiva “nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos”.

Portanto, se o crime pelo qual a pessoa foi presa em flagrante tem pena máxima igual ou inferior a quatro anos ou não é doloso, impossível a sua prisão preventiva.

Enquadram-se nessa hipótese: furto simples, receptação, porte/posse ilegal de arma de fogo de uso permitido e crimes de trânsito.

Se o crime possibilita o cumprimento da sanção por medidas restritivas de direito ao invés de privativa de liberdade, por qual razão manter a pessoa presa preventivamente?

É claro que também existem casos em que a pessoa é presa por crimes cuja pena máxima é superior a 04 anos e acaba sendo solta, como em algumas situações de roubo e de tráfico de drogas, por exemplo, que são os mais comuns.

No caso do roubo, para a pessoa ser solta, apesar de muito pouco provável, diante da necessidade (boa ou má) de o Judiciário dar uma resposta à sociedade, o crime deve ter sido praticado sem violência efetiva contra a vítima; o preso deve ser primário, jovem, com residência fixa; o bem subtraído deve ser de pequeno valor, dentre outras circunstâncias que fazem com que o magistrado entenda que a ele é cabível outra medida diversa da prisão.

É o típico roubo de celular, cuja abordagem foi rápida, com agentes primários e desarmados.

Com o tráfico é semelhante. A regra das prisões no tráfico de drogas não é de grandes traficantes, presos com quantidades de drogas alarmantes. Pelo contrário, falamos de jovens, primários, com pouca quantidade de drogas ou até mesmo nenhuma droga apreendida, em situações que colocam em dúvida a prisão; a condição de traficante/usuário; bem como levam em conta a pena a ser aplicada em uma eventual condenação e, consequentemente, a sanção a ser aplicada a ele.

Esse é um fator importante para a decisão de conversão da prisão em flagrante em preventiva ou na imposição de medidas cautelares diversas, a possível pena a ser aplicada a essa pessoa no futuro.

São analisadas, no caso do tráfico de drogas, por exemplo, as circunstâncias do crime, a quantidade de drogas apreendidas, a idade do preso, dentre outros fatores e, como numa bola de cristal, busca-se enxergar o futuro e a possível pena a ser aplicada no caso de uma condenação.

Ainda quanto ao tráfico, é necessário ter em mente o instituto do tráfico privilegiado, o qual possibilita, caso seja aplicado, a redução da pena de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços).

Caso essa possível e abstrata pena seja inferior a 04 anos, o regime inicial será o aberto, não sendo plausível manter a pessoa presa cautelarmente durante a instrução para soltá-la após a prolação da sentença. Não faz sentido algum.

Já se a possível e abstrata pena for superior a 04 anos, já se sabe que o regime inicial de cumprimento da pena será o semiaberto, o que já possibilita uma possível “justificativa” para se decretar e manter uma prisão preventiva.

Obviamente, tudo é muito subjetivo e depende da cabeça do juiz que profere a decisão.

Mas a regra, se é que podemos falar que existe uma, é: furto simples, receptação, crimes relacionados ao estatuto do desarmamento e crimes de trânsito, quase 100% das vezes corresponderão à soltura quase que imediata do preso.

Tráfico de drogas, se o juiz verificar que em uma eventual condenação a pena a ser aplicada será inferior a 4 anos, principalmente se reconhecido o tráfico privilegiado, provavelmente concederá liberdade ao réu.

Em outros crimes, principalmente aqueles que envolvem violência real para sua consumação, como roubo, estupro e homicídio, a probabilidade de soltura na análise da prisão em flagrante é muito pequena, quase nenhuma. É bem provável que respondam o processo todo presos.

Deve ficar claro que não se trata de soltar “bandido”, mas de colocar em liberdade pessoas acusadas de praticar crimes e que têm o direito de em liberdade responderem às acusações que lhes são feitas.

Temos que lembrar, ainda, que nem todos que cometem crimes devem ser presos, ou melhor nem todos os crimes possibilitam a prisão, ainda mais se levado em consideração fatores pessoais do preso, os quais, ao serem analisados de forma associada, impossibilitam mantê-lo preso. Ainda bem, pois a nossa população carcerária já é a 3ª maior do mundo.

Desse modo, “a polícia prende e a justiça solta” é uma afirmação parcialmente verdadeira, dependendo do ponto de vista que se olhe.

Fonte: Canal Ciências Criminais

Canal Ciências Criminais

COMENTÁRIOS

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O que algumas pessoas precisam entender é que a JUSTIÇA é uma via de mão dupla: por um lado, condena culpados e, por outro lado, absolve inocentes.

Para os fascistas de plantão, só existe justiça quando o processo resulta em condenação, ou seja, para indivíduos com essa mentalidade, todos são culpados até que prove o contrário, ou seja, invertem a premissa constitucional de inocência, mas ignoram que a prisão de um inocente também é uma injustiça.

Algumas pessoas têm muita dificuldade para entender que as pessoas não são culpadas de tudo e que um processo instaurado significa apenas uma apuração dos fatos e provas e não uma condenação antecipada. Acusações frágeis, baseadas em meras especulações e ilações, não são aptas a demonstrar o… continuar lendo

Assim, talvez apesar de “legal” é difícil entender ter sido colocado em liberdade o condenado “J.Dirceu”.

Ou a Senhora mulher de “Cabral” se as outras tantas mulheres (de não Cabrais) na mesma situação, continuam “presas”.

É de se crer que a justiça é uma via de três mãos, a terceira é a da qualidade e importância do preso. Preso de pequena qualidade não tema a seu dispor a “terceira” mão.

Além da demora exagerada para os (TJ’s) julgarem, normalmente dando condições de ser pedido um “HC”, e, aí solta para prender… continuar lendo

Seu comentário enriquece o artigo, Norberto.

Melquisedec Lima

“E com relação ao grau de reincidência, uma pesquisa realizada pelo CNJ, em 2015, demonstrou que de cada 4 condenados, 1 reincide, ou seja, a cada 4 condenados, 3 NÃO reincidem, o que revela a potencialidade de regeneração e de ressocialização.”

Cuidado com essa conclusão, o estudo fala do reincidente legal, ou seja, aquele que volta a ser condenado em até 5 anos após o cumprimento da pena. Aí temos dois problemas: nada é dito sobre o cara que comete crime após 5 anos, nada é dito sobre o cara que voltou a cometer crimes e não foi condenado.
Se o estudo verificasse a vida do cara após o cumprimento da pena acredito que essa proporção de 1 condenado entre 4 não voltam a cometer crime iria aumentar.

Ricardo: é a paródia de uma ópera bufa. E a plateia (nós) é tratada como anencéfalos imbecilizados.

“Para os fascistas de plantão…”
Cara, por favor né. O que seriam ‘fascistas de plantão’? Alguém que fala, defende algo que você discorda?

Emmanuel Carlos

A polícia prende e a justiça solta …. a justiça anda sendo operosa em colocar bandidos à solta e a fazer com que o cidadão comum fique preso, mesmo que em “prisão domiciliar”. Mais ainda: a justiça garante que o delinquente, armado, encontre a vítima – o cidadão comum – desarmada. Inverteram-se os valores: o estado, que deveria ser o serviçal do cidadão, transformou-se, num primeiro momento em seu suserano … e caminha a passos rápidos para se tornar o seu algoz …