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5 Direitos que os usuários de planos de saúde possuem e (provavelmente) não sabem.

5 Direitos que os usuários de planos de saúde possuem e (provavelmente) não sabem.

É muito comum que as advogadas e os advogados especialistas em saúde suplementar recebam questionamentos diários sobre condutas das operadoras de planos de saúde e que a uma primeira vista é algo básico, mas que o consumidor não tem ciência dos seus direitos.

Em razão dessa situação decidi compilar 5 direitos que esses consumidores possuem e muito provavelmente não fazem ideia. Não irei destrinchar de forma aprofundada cada um desses direitos, tampouco debater suas implicações práticas ou o que o Superior Tribunal de Justiça aplica em termos de decisões.

Minha intenção é informar o direito e os fundamentos jurídicos para o consumidor e para os colegas de profissão que atuam com outros tipos de demanda, mas eventualmente se deparam com questionamentos dessa natureza.

Cada caso é único e depende da análise do contrato de cada consumidor, devendo essa lista ser utilizada apenas como um norte. Assim, vamos aos direitos:

1) O plano de saúde deve fornecer os medicamentos domiciliares quando se tratar de situação de urgência ou emergência.

Para entender bem esse direito é preciso saber o que diz a Lei dos Planos de Saúde, mais especificamente no artigo 35-C:

Art. 35-C. É obrigatória a cobertura do atendimento nos casos:

I – de emergência, como tal definidos os que implicarem risco imediato de vida ou de lesões irreparáveis para o paciente, caracterizado em declaração do médico assistente;

II – de urgência, assim entendidos os resultantes de acidentes pessoais ou de complicações no processo gestacional;

III – de planejamento familiar.

Junto a esse ponto, temos o artigo 10, inciso VI, que em termos gerais não indica o fornecimento de medicamentos domiciliares como de cobertura obrigatória e concede ao fornecedor a opção de inserir essa condição no contrato:

Art. 10. É instituído o plano-referência de assistência à saúde, com cobertura assistencial médico-ambulatorial e hospitalar, compreendendo partos e tratamentos, realizados exclusivamente no Brasil, com padrão de enfermaria, centro de terapia intensiva, ou similar, quando necessária a internação hospitalar, das doenças listadas na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, da Organização Mundial de Saúde, respeitadas as exigências mínimas estabelecidas no art. 12 desta Lei, exceto:

VI – fornecimento de medicamentos para tratamento domiciliar, ressalvado o disposto nas alíneas ‘c’ do inciso I e ‘g’ do inciso II do art. 12;

A maioria das operadoras de planos de saúde não ofertam aos seus consumidores a cobertura de medicações domiciliares. A finalidade desse ponto da Lei, na realidade, é a exclusão do dever de custear a compra comum e até corriqueira em farmácias.

Quando falamos de situação de urgência ou emergência não estamos diante de uma doença comum, sendo necessária a compreensão do conceito de tratamento da forma mais ampla, ou seja, dos procedimentos e medicamentos necessário para saída da situação emergencial e manutenção da saúde e vida do paciente.

Um exemplo: uma mulher com trombofilia comprovada por exame de mutação genética passa por uma gestação difícil e de alto risco, tratando-se de situação de urgência na qual se faz necessária a utilização durante toda a gestação de uma medicação de uso domiciliar para que essa gestante não tenha que ir todo dia ao hospital receber a dose diária da substância.

Por essa razão, independente da modalidade de fornecimento da medicação, o plano deve custear os medicamentos domiciliares quando se tratar de situação de emergência ou urgência.

2) Quem decide os materiais (órteses, próteses…) que serão utilizados no tratamento do paciente é o médico, cabendo ao plano custear.

Outra dúvida muito comum e que vez ou outra vem acompanhada de uma negativa de fornecimento do plano de saúde.

É importante informar que apenas o médico do consumidor pode escolher os itens necessários para o tratamento mais adequado. Essa determinação encontra amparo no incio I do art. 7º da Resolução nº 424/2017 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e art. 1º da Resolução nº 1.956/2010 do Conselho Federal de Medicina (CFM):

Art. 7º da Res. ANS 424/2017: No tocante à cobertura de órteses e próteses ligadas aos atos cirúrgicos listados no Rol de Procedimentos e Eventos em saúde, deverão ser observadas as seguintes disposições:

I – cabe ao profissional assistente a prerrogativa de determinar as características (tipo, matéria-prima e dimensões) das órteses, das próteses e dos materiais especiais – OPME necessários à execução dos procedimentos contidos no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde; e […]

Art. 1º da Res. CFM 1.956/2010: Cabe ao médico assistente determinar as características (tipo, matéria-prima, dimensões) das órteses, próteses e materiais especiais implantáveis, bem como o instrumental compatível, necessário e adequado à execução do procedimento.

Na prática o que se nota são muitas recusas e até a “realização” de juntas médicas ou odontológicas unilaterais, tolhendo por completo o direito do consumidor ao tratamento indicado pelo seu médico.

3) Caso não exista profissional especializado em determinada área da medicina na rede credenciada, cabe ao plano arcar com as despesas do paciente.

Por mais que o plano do consumidor seja o mais completo da operadora, nem sempre todas as áreas da medicina são cobertas pela rede credenciada e abrangência geográfica do contrato. Segundo dados do CFM o número de médicos no Brasil passa de 450 mil, ou seja, 2,18 médicos a cada mil habitantes. Ainda assim, existem áreas da medicina não cobertas de forma expressiva pelos planos e isso atrai uma obrigação de custeio das despesas quando o profissional ou clínica procurada pelo consumidor não estão inseridos na rede credenciada.Essa determinação está inserida nos incisos I e II do artigo 4º da Resolução nº 259/2011 da ANS:Art. 4º Na hipótese de indisponibilidade de prestador integrante da rede assistencial que ofereça o serviço ou procedimento demandado, no município pertencente à área geográfica de abrangência e à área de atuação do produto, a operadora deverá garantir o atendimento em:I – prestador não integrante da rede assistencial no mesmo município; ou II – prestador integrante ou não da rede assistencial nos municípios limítrofes a este. Portanto, na hipótese de não existir profissional credenciado a operadora deve ressarcir integralmente o usuário.

4) Aposentado pode manter o plano que tinha quando era empregado se contribuiu com o pagamento da mensalidade.

Assim como no primeiro direito, nesse também precisamos entender o que diz a Lei dos Planos de Saúde sobre o beneficiário aposentado:

Art. 31. Ao aposentado que contribuir para produtos de que tratam o inciso I e o § 1º do art. 1o desta Lei, em decorrência de vínculo empregatício, pelo prazo mínimo de dez anos, é assegurado o direito de manutenção como beneficiário, nas mesmas condições de cobertura assistencial de que gozava quando da vigência do contrato de trabalho, desde que assuma o seu pagamento integral.

§ 1º Ao aposentado que contribuir para planos coletivos de assistência à saúde por período inferior ao estabelecido no caput é assegurado o direito de manutenção como beneficiário, à razão de um ano para cada ano de contribuição, desde que assuma o pagamento integral do mesmo.

Ou seja, o aposentando, quando empregado, que tiver contribuído por mais de dez anos com o pagamento (no todo ou em parte) do plano de saúde tem o direito de permanecer como beneficiário do plano por tempo indeterminado.

Por sua vez, caso a pessoa se aposente antes de completar 10 anos de contribuição naquele empresa, terá direito a permanecer com o plano de saúde pelo mesmo período de contribuição. Isto é, se o empregado/aposentado contribuiu no todo ou em parte com o pagamento da mensalidade durante 6 anos, permanecerá com o contrato ativo por mais 6 anos.

Independente da situação, o aposentado somente continua com o contrato vigente se assumir o pagamento integral da mensalidade.

Contudo, a prática mostra algumas situações abusivas, como, por exemplo, um acréscimo significativo no valor da mensalidade. Nesse sentido devemos recorrer à Resolução nº 279/2011 da ANS, mais especificamente aos arts. 16 e 18:

Art. 16. A manutenção da condição de beneficiário no mesmo plano privado de assistência à saúde em que se encontrava quando da demissão ou exoneração sem justa causa ou aposentadoria observará as mesmas condições de reajuste, preço, faixa etária e fator moderador existentes durante a vigência do contrato de trabalho.

§ 1º O valor da contraprestação pecuniária a ser paga pelo ex-empregado deverá corresponder ao valor integral estabelecido na tabela de custos por faixa etária de que trata o caput do artigo 15 desta Resolução, com as devidas atualizações.

[…]

Art. 18. O plano privado de assistência à saúde de que trata o artigo anterior (plano exclusivo para ex-empregados) deverá ser oferecido e mantido na mesma segmentação e cobertura, rede assistencial, padrão de acomodação em internação, área geográfica de abrangência e fator moderador, se houver, do plano privado de assistência à saúde contratado para os empregados ativos.

Parágrafo único. É facultada ao empregador a contratação de um outro plano privado de assistência à saúde na mesma segmentação com rede assistencial, padrão de acomodação e área geográfica de abrangência diferenciadas daquelas mencionadas no caput como opção mais acessível a ser oferecida juntamente com o plano privado de assistência à saúde de que trata o caput para escolha do ex-empregado demitido ou exonerado sem justa causa ou aposentado.

Dessa forma, o aposentado pode sim manter seu plano de saúde da época em que era empregado, possuindo argumentos jurídicos suficientes para impedir práticas abusivas das operadoras.

5) É possível mudar para outra operadora sem o cumprimento de novas carências caso o contrato atual esteja vigente há 2 anos.

Por fim, temos a hipótese de portabilidade de carências, expressamente permitido pela ANS e que as operadoras acabam cometendo muitos erros por conta do desrespeito dos prazos para conclusão da troca.

Essa medida é regulada pela Resolução nº 438/2018 e prevê alguns requisitos específicos para que o consumidor troque de operadora e não tenha que cumprir novos prazos.

Uma das principais determinações é que o consumidor deve estar vinculado há 2 anos ao plano atual e que a operadora do plano de saúde destino tem o prazo de 10 dias para responder se aceita ou não a portabilidade, caso não responda a portabilidade é automaticamente considerada válida.

Outra determinação importante é que o consumidor, após ingressar no novo plano, deve solicitar o cancelamento do anterior diretamente à operadora no prazo de 5 dias, o não cumprimento dessa exigência sujeita o consumidor ao cumprimento das carências do novo plano pelo descumprimento dos termos da Resolução.

O tema é um tanto quanto complexo e necessita de um artigo específico para ficar melhor explicado, mas caso o leitor tenha interesse em saber mais pode acessar o site da ANS clicando aqui ou aqui para ter acesso a uma cartilha explicativa.


É possível notar que os direitos aqui informados foram retirados diretamente da Lei dos Planos de Saúde e de Resoluções da ANS, textos esses que muitas vezes são complexos e envolvem a leitura de outras fontes para o completo entendimento.

Muitos consumidores somente buscam essas informações quando a operadora do plano de saúde nega algum procedimento ou age de forma abusiva em relação a prazos e preços, sendo de grande importância transformar os termos da lei em uma linguagem acessível a todos.

Você, consumidor ou colega de profissão, conhecia algum desses direitos? Deixe nos comentários a sua impressão e não esqueça de recomendar o artigo!


Eduardo Bauer, advogado.

eduardo@eduardobauer.com.br

http://www.eduardobauer.com.br

Te ajudo a evitar e resolver problemas com planos de saúde.

Ajudo profissionais da saúde com problemas jurídicos e pacientes que estão enfrentando problemas com planos de saúde. Também ajudo empresários a registrarem e protegerem as marcas dos seus negócios. Formado em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) e especialista em Direito Médico e da Saúde pela Faculdade do Complexo de Ensino Renato Saraiva (CERS). Membro da Comissão de Defesa do Consumidor e da Comissão de Direito e Saúde da OAB-PE. Ex-membro da Comissão de Propriedade Intelectual da OAB-PE. Palestrante e autor de artigos jurídicos. Acompanhe meu Instagram para mais conteúdo: @eduardobauer_

FONTE JUSBRASIL

17 Comentários

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Obrigado Raiza!

Excelente texto, Eduardo.
Grande abraço.

Obrigado pelo feedback, Felipe!
Abraço.

Prezado colega Dr Eduardo Brauer, o texto é merecedor de elogios, vez que é muito explicativo e que muitas vezes alguns cursos não contextualizam questões de plano de saúde… meus parabéns..

Dr. Éder, muito obrigado pelo comentário, é muito gratificante receber um feedback feito o seu!

Como falo no final do texto, minha intenção é trazer o direito do consumidor com facilidade de compreensão por todos. A utilização do fundamento jurídico pode deixar o texto um pouco complexo, mas dessa forma é possível que o consumidor, e até colegas advogados, consigam se situar sobre os direitos.

Existem outras situações básicas que são negligenciadas pela operadoras e são contrárias à Lei dos Planos de Saúde e Resoluções da ANS. Certamente irei elaborar outro artigo nesse sentido ou então aprofundar algum dos direitos expostos nesse texto, como falo no tópico da portabilidade de carências.

Fique à vontade para compartilhar o texto!

Grande abraço.

Fantástico Doutor. Realmente, destas 5 eu não sabia de 4. Obrigado

Flávio, muito obrigado pelo feedback!

Poderias me dizer quais são os quatro? Estou à disposição para debater sobre o tema!

Forte abraço.

Gostaria que o Dr. Bauer expusesse as diferenças entre Planos de Saúde e Seguro Saúde. Por experiência própria por várias vezes gastos com hospital e com fisioterapia além de internação por doença contagiosa foram recusados pela Seguradora. Também exames e outros procedimentos mesmo decorrentes de alguma doença ou traumatismo não foram ressarcidos. O que fazer nestes casos já que a ANS usa e abusa do corporativismo? Aguardo e agradeço.

Sebastião, obrigado pelo comentário!

De forma simples, a diferença entre Plano de Saúde e Seguro Saúde: o primeiro coloca à disposição do consumidor uma rede de atendimento própria ou credenciada em que os custos são cobertos pela operadora, enquanto que o segundo funciona com o sistema de reembolso pela seguradora ao consumidor (que nem sempre é de 100%, é importante observar o contrato e os múltiplos de reembolso).

As duas expressões não são sinônimas, ainda que os direitos e deveres sejam muito parecidos. Alguns planos de saúde possibilitam pelo contrato a livre escolha de profissionais/estabelecimentos com reembolso (que também seguirá o critério de múltiplos de reembolso).

No tocante aos gastos recusados é interessante buscar o auxílio do PROCON da sua cidade ou encaminhar um e-mail ao SAC da Seguradora questionando detalhadamente os motivos da recusa. Também podes procurar um advogado ou uma advogada para analisar os termos do seu contrato e os fatos.

Com o devido respeito, há informações pautadas em interpretação não sistêmica da Lei de Planos de Saúde e do microssistema de saúde suplementar como um todo. O item nº 1, da forma como exposto, altera por completo o sentido da lei, pois medicamentos de uso domiciliar cobertos são somente os antineoplásicos, ou aqueles necessários em internação, desde que com o devido registro na ANVISA. Informações como estas, distorcidas do sentido extraível da lei, corresponde a um desserviço à Justiça e ao fomento de demandas judiciais infundadas.

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Dr. Jhony, obrigado pelo comentário, toda divergência é muito salutar para o Direito.

Quanto a questão dos medicamentos, entendo o sentido do seu comentário no tocante ao texto dos arts. 10 e 12, mas note que abordei especialmente a questão de urgência e emergência nas quais são obrigatórias as coberturas.

Veja o exemplo utilizado. É razoável que uma grávida, com a condição de mutação dos genes comprovada, tenha que se dirigir a um hospital todo dia durante a sua gravidez (e após) apenas para ter a dose diária do medicamento que irá assegurar sua vida e a gestação de alto risco, que via de regra tem como recomendação o repouso?

Penso que não, principalmente quando a Constituição Federal elenca o direito à vida e à saúde como fundamentais e a função social desse tipo de contrato é justamente a manutenção da vida e da saúde dos seus consumidores.

Quanto ao fomento de demandas judiciais, acredito que informar o consumidor sobre os seus direitos apenas o fortalece contra abusos cometidos por diversos fornecedores, podendo esse procurar essas empresas para soluções amigáveis ou os órgãos de defesa do consumidor antes de se pensar em judicialização.

Ótima abordagem dr. Parabens

Dr. Bruno, obrigado pelo feedback!

Fique à vontade para compartilhar.

Sou associado a um plano empresarial. Nele tenho minha esposa como dependente. No caso de meu falecimento ela tem amparo para continuar no plano?

Aparecido, obrigado pelo comentário!

A maioria dos contratos empresariais trazem em suas cláusulas a “remissão” como um direito dos dependentes para continuação no plano pelo período mínimo de 3 anos e máximo de 5 anos sem o pagamento das mensalidades (esse custo geralmente já está embutido no cálculo da sua mensalidade atual). Assim, é importante checar as cláusulas do contrato e verificar se a remissão está prevista ou não.

Por outro lado, caso não localize esse direito em seu contrato, a Lei dos Planos de Saúde permite que o dependente do falecido beneficiário fique vinculado ao contrato pelo período de 1/3 do tempo de contribuição de pagamento do plano de saúde (no todo ou em parte), com um mínimo assegurado de 6 meses e o máximo de 24 meses. Nessa situação o dependente precisa comunicar a operadora do seu interesse em continuar no contrato e assumir o custeio da mensalidade.

Independente do enquadramento, muitas operadoras entendem por cancelar os contratos automaticamente no fim desses prazos, o que é considerado abusivo pelo nosso Poder Judiciário, principalmente quando estamos falando de pessoas idosas e que possuem dificuldade de ingresso em outro contrato de plano de saúde.

Boa tarde Dr.!

Muito bom seu artigo.
Sou nova na área da advocacia, será que posso ter sucesso em uma ação contra a empresa que minha mãe trabalhava? Ela aposentou por invalidez em 1999, era empregada pública e durante 22 anos pagou o plano de saúde empresarial, porém, mesmo solicitando à época, não teve direito a continuar com o plano.
Será que se entrarmos com a ação agora, há possibilidade dela pagar o plano atual da empresa?

STJ limita prazo de reembolso de reajustes abusivos de plano de saúde

STJ limita prazo de reembolso de reajustes abusivos de plano de saúde

 PLANOS DE SAUDE IMAGEM

Publicado por Strano & Messetti Advogados11 horas atrás

Usuários de plano de saúde que se sentirem lesados pelo reajuste da mensalidade ao mudarem de faixa etária só podem requerer o reembolso do valor referente aos últimos três anos, de acordo com decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), na última quarta (10). Até então, costumava valer o prazo de dez anos.

A segunda seção do tribunal se debruçou sobre duas reclamações a respeito do tema. O julgamento terminou com placar apertado.

Cinco dos dez ministros do colegiado —Marco Aurélio Bellizze, Raul Araújo, João Otávio Noronha, Paulo Moura Ribeiro e Villas Bôas Cueva— entenderam que o período máximo deve ser de três anos.

O relator do caso, Marco Buzzi, votou pela manutenção dos dez anos e foi acompanhado pelos ministros Antonio Carlos Ferreira, Maria Isabel Gallotti, Paulo de Tarso Sanseverino. Como estava presidindo a seção, Luís Felipe Salomão não votou.

A discussão se deu em torno da interpretação do Novo Código Civil, que estabelece um prazo geral de uma década a ser reclamada pelo consumidor lesado.

A tese que prevaleceu, porém, é a de que os processos em questão se enquadram num fundamento específico, o chamado enriquecimento sem causa. Nesses casos, o Código Civil estabelece o limite de três anos.

A regra afeta diretamente os usuários cujas mensalidades foram alteradas em consequência da mudança de idade. No mesmo julgamento, os ministros decidiram que a cláusula de reajuste por faixa etária é válida, desde que não seja utilizada para amparar aumentos abusivos, em dissonância dos praticados pelo mercado.

Fonte: AASP

O aumento do plano de saúde por faixa etária é ilegal após os 60 anos

O aumento do plano de saúde por faixa etária é ilegal após os 60 anos

No momento da vida que o idoso mais precisa do plano e que o valor pesa no bolso, é bom saber de seus direitos.

Publicado por Vannia Costa Ferreira

O aumento do plano de sade por faixa etria ilegal aps os 60 anos

Os usuários de planos de saúde são sempre surpreendidos com mensalidades muito altas do plano de saúde e as operadoras justificam o aumento pelo motivo do usuário estar mudando de faixa etária.

Acontece que muitos usuários não sabem que o aumento do plano de saúde por motivo de faixa etária após os 60 anos e para o usuário que está no plano de saúde há mais de 10 anos, conforme a lei 9.656/1998, é ilegal, ou seja mesmo que o contrato mencione o reajuste o mesmo não é valido ao consumidor com mais de 60 anos e portador do plano há mais de dez anos, a lei ficou conhecida como Lei de Plano de Saúde.

Não só a Lei 9.656/98, mas também o estatuto do idoso, Lei Federal 10.741/2003) veda o reajuste por faixa etária, e vai mais longe o estatuto do idoso veda o reajuste a todos os consumidores a partir dos 60 anos, independente do tempo de contratação do plano.

Então o consumidor que foi lesado por um aumento ilegal deve redigir uma reclamação formal ao plano de saúde embasada na legislação que indicamos e esperar pela resposta da operadora, se a mesma mantiver o reajuste o consumidor deverá procurar um advogado e propor na justiça a suspensão do aumento

3 Comentários

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Petronilo Filho
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A alegação de que quanto mais velho o usuário gasta mais, tem fundamento. Porém, em muitos casos, o usuário está no plano há muito tempo e no início não utilizou. Eu pago um plano há 43 anos e durante minha juventude usei pouquíssimas vezes. Agora, na maturidade, tive um aumento de 55%, que acumulado com a correção anual chegou a 77%. Recorri à justiça, o aumento foi suspenso, mas estou tentando reaver o que paguei a mais. Durante esse tempo eu contribui muito mais do que o plano gastou comigo. Com minha esposa aconteceu o mesmo, recorri, mas até agora a justiça não suspendeu e se não resolver logo vou ter que desligá-la do plano por não poder mais arcar com o valor.

Hyago de Souza Otto
2 votos
Pelo que sei, a questão não é tão simples.
O STJ posicionava-se dessa forma, mas, recentemente, passou a adotar posição mais razoável: é possível alterar o valor em razão da faixa etária do idoso, desde que o aumento não seja excessivo.
DIREITO CIVIL. CONSUMIDOR. PLANO DE SAÚDE. CLÁUSULA DE REAJUSTE POR MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA. SEGURADO IDOSO. DISCRIMINAÇÃO. INEXISTÊNCIA. 1. Nos contratos de seguro de saúde, os valores cobrados a título de prêmio devem ser proporcionais ao grau de probabilidade de ocorrência do evento risco coberto. Maior o risco, maior o valor do prêmio. 2. O aumento da idade do segurado implica a necessidade de maior assistência médica. Em razão disso, a Lei n. 9.656/1998 assegurou a possibilidade de reajuste da mensalidade de plano ou seguro de saúde em razão da mudança de faixa etária do segurado. Essa norma não confronta o art. 15, § 3º, do Estatuto do Idoso, que veda a discriminação consistente na cobrança de valores diferenciados em razão da idade. Discriminação traz em si uma conotação negativa, no sentido do injusto, e assim é que deve ser interpretada a vedação estabelecida no referido estatuto. Na hipótese dos autos, o aumento do valor do prêmio decorreu do maior risco, ou seja, da maior necessidade de utilização dos serviços segurados, e não do simples advento da mudança de faixa etária. 3. Se o reajuste está previsto contratualmente e guarda proporção com o risco e se foram preenchidos os requisitos estabelecidos na Lei n. 9.656/1998, o aumento é legal. 4. Recurso especial conhecido e provido em parte. (STJ – REsp: 1381606 DF 2013/0058831-6, Relator: Ministra NANCY ANDRIGHI, Data de Julgamento: 07/10/2014)
10 horas atrás Responder Reportar

Eduardo Rocha

2 votos

O aumento não se dá porque as empresas são más. É inegável que os custos depois desta idade aumentam. E quanto mais o governo impedir, pior. Alguém irá pagar. Nem que seja com a empresa quebrando.

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