Como realizar um marketing jurídico digital sem infringir o Código de Ética e Disciplina da OAB? 5 dicas infalíveis.

Como realizar um marketing jurídico digital sem infringir o Código de Ética e Disciplina da OAB? 5 dicas infalíveis.

Publicado por Taís Castro

FONTE JUS BRASIL

O marketing jurídico digital

O mais antigo marketing jurídico que existe é a famosa indicação entre clientes, também conhecida como “boca a boca”, além da entrega física do cartão de visitas.

Ocorre que essas estruturas não são adaptáveis para o mundo digital, sendo necessário que o profissional adote outras estratégias como, por exemplo, a criação de conteúdo para as redes sociais.

A produção de conteúdo representa uma estratégia específica de informar o seu potencial cliente ao mesmo passo em que você torna pública sua expertise na sua área de atuação. Muito mais importante do que você ser um bom profissional é fazer com que as pessoas saibam disso.

Nesse sentido o marketing jurídico digital é a forma pela qual o advogado se utiliza das redes sociais para realizar seu marketing, passando a ter reconhecimento online e buscando prospectar clientes com a produção de conteúdo informativo.

Publicidade na advocacia à luz do Código de Ética e Disciplina da OAB

O Código de Ética e Disciplina da OAB possui um capítulo específico para tratar sobre a publicidade profissional, ficando claro desde o início que o advogado pode sim realizar publicidade, o que não pode é a propaganda.

Nesse sentido, o artigo 39 do Código de Ética e Disciplina dispõe expressamente que a publicidade exercida pelo advogado possui caráter meramente informativo, devendo primar pela discrição e sobriedade, sobretudo sem configurar captação de clientela ou mercantilização da profissão.

A publicidade pode ser caracterizada como o ato de tornar algo público de forma não onerosa (sem que seja realizado um pagamento para isso). No caso do advogado é permitida a publicidade meramente informativa, ou seja, tornar público informações jurídicas com o único propósito de transmitir conhecimento para as pessoas, sem que isso configure uma consultoria em caso concreto – para isso é necessário que haja um pagamento porque estamos diante de uma prestação de serviço.

Já a propaganda está veiculada com um anúncio, porque pressupõe um pagamento para isso, possuindo um fim muito mais comercial e focado em vendas.

Com isso, a proibição da mercantilização pode ser entendida como o impedimento do advogado de tornar a advocacia algo com caráter comercial, exercer atos de comércio através da publicidade anunciando promoções, descontos e promovendo venda direta como se fosse uma empresa qualquer.

Ainda nesse assunto da regulamentação da publicidade na advocacia, há o Provimento nº 94/2000 que dispõe sobre a publicidade, a propaganda e a informação da advocacia.

No artigo 1º do Provimento nº 94/2000 fica expresso que ao advogado é permitida a publicidade informativa, devendo se limitar ao objetivo de levar o conhecimento do público em geral com dados objetivos e verdadeiros.

Assim sendo, não restam dúvidas que o advogado pode utilizar as mídias digitais como forma de realizar seu marketing jurídico digital, utilizando da publicidade em caráter meramente informativo para firmar sua presença online e ainda agregar conteúdo relevante para os potenciais clientes.

A técnica de marketing permitida ao advogado

Produzir conteúdo digital não é tarefa fácil, e por isso deve estar sempre aliada a uma boa estratégia para que todo esforço não seja desperdiçado.

Com isso é também crucial que o advogado saiba exatamente qual técnica de marketing utilizar, tendo em vista que o objetivo de produzir conteúdo é sempre norteado pelos parâmetros estabelecidos no Código de Ética e Disciplina da OAB.

Muito ao contrário do que a grande maioria pensa, existe sim uma técnica de marketing que é permitida ao advogado, e ela se chama Inbound Marketing!

O Inbound Marketing representa um Marketing de Atração e possui três pilares principais: atrair, converter e encantar. É uma espécie de marketing menos agressiva porque são as pessoas que vão até você e não o contrário.

E por que ela é permitida ao advogado especificamente?

Porque essa técnica possui o propósito de atrair potenciais clientes por intermédio da produção de conteúdo relevante. Assim, quanto mais conteúdo relevante você produzir, mais a pessoa que te acompanha ficará impactada e sentirá mais confiança para futuramente te contratar.

Mas é primordial fixar isso: o conteúdo produzido deve ter caráter RELEVANTE para a sua audiência.

E como o conteúdo relevante se introduz no nicho da advocacia?

Produzindo conteúdo jurídico informativo específico para os potenciais clientes que você deseja um dia atingir, visto que o que é relevante para uma pessoa pode muito bem não ser para outra – existem objetivos, metas e dores diferentes.

5 dicas infalíveis para produção de conteúdo jurídico nas mídias digitais

Agora que você já entendeu sobre a importância do marketing jurídico digital, a forma de realizar a publicidade na advocacia utilizando uma técnica específica do marketing é importante entender como isso pode ser feito na prática.

Aqui vão 5 dicas infalíveis para a produção de conteúdo jurídico:

1. Defina de forma clara sobre qual assunto jurídico você irá tratar;

Mesmo que você atue na prática como um advogado generalista, é importante que nas mídias digitais você seja reconhecido como autoridade em um ramo específico do Direito. Então escolha aquele que você possui maior afinidade e se apresente como expert naquele determinado assunto, isso atrai mais o público e gera maior confiança.

2. Seja o mais específico possível nos conteúdos;

Busque ao máximo produzir um conteúdo específico da sua área de atuação. Informe o público sobre algo bem detalhado, tentando se livrar de situações genéricas. Essa é uma forma de alcançar identificação no seu público com você.

3. Não exagere no juridiquês;

Se a sua intenção com a produção de conteúdo digital é informar o público leigo e com isso atrair potenciais clientes, tenha ciência de que nenhum deles reconhece a linguagem rebuscada jurídica – o famoso juridiquês. A linguagem é algo importante porque ela pode muito bem afastar ao invés de atrair o público. Fale a linguagem do cliente se ele é o seu foco principal.

4. Se atente com as informações prestadas;

O Direito está sempre em constante evolução, por isso só produza conteúdo jurídico sobre algo que você tem absoluta certeza sobre a veracidade dos fatos. Se algo mudar no cenário jurídico, houver alguma atualização ou revogação, informe imediatamente ou refaça seu conteúdo para não prestar informações equivocadas. Ao advogado é expressamente proibido levar à publicidade fatos falsos.

5. Identifique o perfil do seu público alvo e sua respectiva rede social;

Dependendo do seu nicho de atuação jurídica o seu potencial cliente pode frequentar mais uma determinada rede social do que outra. Portanto, realize um estudo minucioso sobre onde estaria o seu público alvo para criar um conteúdo direcionado para realmente ser encontrado por quem se interessa pela informação que você está prestando.

Necessidade de presença nas redes sociais

Com a pandemia do COVID-19 em 2020 quem ainda possuía alguma resistência com o mundo digital teve de ceder e fazer uma migração efetiva. Isso porque com os comércios parcialmente fechados em razão da quarentena e do isolamento social, a maior parte das interações e relacionamentos sociais passaram para o campus virtual, desde comércios onlines (chamados de e-commerce), como chamadas de vídeos instantâneas, entregas via delivery, entre vários outros serviços passaram a ser prestados de forma prioritariamente sem contato físico.

Dessa forma, todas as mídias digitais passaram a ser grandes centros de atenção e com tanta gente online e conectada fica muita mais fácil atrair um potencial cliente se você estiver no mesmo ambiente que ele.

Fato é que se você, ou a sua empresa, não são facilmente encontrados por sites de pesquisas como o Google muito provavelmente você sequer existe para o seu potencial cliente, portanto é primordial não apenas estar conectado, mas ter estratégias específicas para realizar a prospecção necessária.

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Parabéns Dra Taís, excelente explicação.

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