Mês: outubro 2018

Prisão após julgamento em segunda instância

Por Shamara Ferreira, do núcleo de Direito Penal do IEAD.

“Jurei a Constituição, mas ainda que não a jurasse, seria ela para mim uma segunda religião.” ― Pedro II do Brasil

O Supremo Tribunal Federal continua envolvido com o tema da possibilidade (vigente) no sistema judiciário brasileiro, diante da Constituição Federal, de se proceder à execução provisória da pena após o julgamento dos casos criminais em segunda instância.

O STF, em análise ao habeas corpus preventivo do ex-presidente Lula, decidiu ser possível a prisão em segunda instância.

Por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que o artigo 283 do Código de Processo Penal (CPP)* não impede o início da execução da pena após condenação em segunda instância e indeferiu liminares pleiteadas nas Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) 43 e 44.

Mas, como funcionaria isso?

A prisão em segunda instância é a antecipação do cumprimento da pena, realizado antes do trânsito em julgado da sentença condenatória. Ou seja, o réu ainda poderá entrar com recurso, mas não estará em liberdade.

Porém, ficam as seguintes dúvidas: a Constituição permite execução provisória da pena após condenação em segunda instância? E, se a Constituição permite, a legislação previu essa possibilidade?

Neste artigo resumiremos tudo o que você precisa saber sobre a condenação em segunda instância.

O QUE DIZ A CONSTITUIÇÃO SOBRE A PRISÃO EM 2ª INSTÂNCIA

A Constituição não veda a prisão após julgamento em 2ª instância. A Constituição não veda, em momento algum, a execução provisória da pena antes do trânsito em julgado. Percebe-se que não há conteúdo semelhante em nossa Carta Magna, mas, sim, está previsto expressamente no artigo , inciso LVII, da Constituição Federal, que preceitua que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. É o chamado princípio de não-culpabilidade ou princípio da presunção de inocência.

Diante disso, uma dúvida permeia em nossa mente:

O que seria considerado “não culpado”?

O que a Constituição quer dizer ao afirmar que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”? O que significa não ser considerado culpado?

Ninguém pode ser considerado culpado sem que tenha havido uma instrução, sem exames das teses defensivas e fundamentalmente que o ônus de provar é da acusação.

Os juristas apontam duas regras básicas que podem ser extraídas do princípio de não culpabilidade, quais sejam:

  1. Regra de prova:

Consiste na regra probatória extraída do princípio da presunção de não culpabilidade entende-se que recai sobre o órgão de acusação o ônus de provar a culpa do acusado.

Por isso, nas ações penais públicas, é tarefa do Ministério Público produzir prova de que: a) o crime ocorreu (materialidade delitiva); e b) o acusado foi quem o realizou (autoria delitiva).

À defesa compete apenas prova de teses defensivas como: a) eventual excludente da ilicitude (por exemplo: legítima defesa); b) eventual causa excludente da culpabilidade (p. ex.: coação moral irresistível); c) causa extintiva da punibilidade (exemplo: prescrição); d) eventual álibi.

  1. Regra de tratamento:

Em suma, essa regra determina que o sujeito passivo da persecução penal, ou seja, a pessoa investigada ou processada, não seja juridicamente tratado como culpado antes do trânsito em julgado.

A constituição não é clara a respeito do que é ou não juridicamente tratado como culpado, mas é de conhecimento que a lei pode determinar que alguns efeitos jurídicos/penais ocorram já durante o processo, desde que sem ofender o núcleo essencial da presunção de inocência, ou seja, desde que a pessoa processada não deixe de ser tratada como inocente.

Depois de todas essas etapas, quando há um julgamento pelo juiz de primeiro grau, esse juiz ao julgar, já faz um julgamento de culpabilidade.

Então, pode-se dizer que (desde o julgamento em primeira instância) quando o juiz de primeiro grau decide, já não existe mais a presunção de inocência. Mas, é necessário entender que, a partir daí a presunção de inocência se inverte, porque já ouve uma manifestação do estado do juiz reconhecendo culpa.

E o que aconteceu após isso?

A parte tem o direito de recorrer em uma instância superior que vai fazer uma reavaliação de todo esse processo e dessa instância para cima são situações excepcionais. Ou seja, vai se decidir se houve uma nulidade no processo, se houve respeito à garantia e etc.

A votação das ADCs enfrenta resistência da presidente do STF, Cármen Lúcia, que desde o início não queria mudar a jurisprudência. Em 2016, ela relembrou, em seu voto, posicionamento proferido em 2010 sobre o mesmo tema, quando acentuou que, quando a Constituição Federal estabelece que ninguém pode ser considerado culpado até o trânsito em julgado, não exclui a possibilidade de ter início a execução da pena – posição na linha de outros julgados do STF.

Para a presidente, uma vez havendo apreciação de provas e duas condenações, a prisão do condenado não tem aparência de arbítrio. Se de um lado há a presunção de inocência, do outro há a necessidade de preservação do sistema e de sua confiabilidade, que é a base das instituições democráticas. “A comunidade quer uma resposta, e quer obtê-la com uma duração razoável do processo”.

* Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva.

OS EFEITOS CAUSADOS PELO POSICIONAMENTO DOS TRIBUNAIS

É problema apoderar os tribunais de segundo grau?

Não, isso não é um problema. A questão posta aqui é que o Brasil não tem um sistema de precedentes eficientes. Isso significa que aproximadamente 1/4 das decisões proferidas pelos tribunais são revistas em tribunais superiores e mais do que isso, a nossa Constituição, quando trata da presunção de inocência, conjuga ao trânsito em julgado. (Ou seja, a presunção …). Isso significa que a presunção de inocência vigora até o trânsito em julgado.

O STF poderia voltar atrás e mudar sua posição?

O tribunal não pode exercer de forma esquizofrênica. Deve-se prezar pela unidade, coerência e previsibilidade das decisões, de modo que a população e os órgãos de base saibam com razoável certeza qual o direito em vigor no país.

A PGR Raquel Dodge, ao sustentar recentemente a manutenção do precedente que permitiu a prisão em 2ª instância, apontou que:

“Revogá-lo mesmo diante de todos os argumentos jurídicos e pragmáticos que o sustentam, representaria triplo retrocesso: para o sistema de precedentes brasileiro, que, ao se ver diante de julgado vinculante revogado pouco mais de um ano após a sua edição, perderia em estabilidade e teria sua seriedade desafiada; para a persecução penal no país, que voltaria ao cenário do passado e teria sua funcionalidade ameaçada por processos penais infindáveis, recursos protelatórios e penas massivamente prescritas; e para a própria credibilidade da sociedade na Justiça, como resultado da restauração da sensação de impunidade que vigorava em momento anterior (…).”

Diante disso, conclui-se que é dever do STF preservar e reforçar sua jurisprudência a respeito do tema.

O PROBLEMA DA SUPERPOPULAÇÃO CARCERÁRIA

Permitir a prisão em 2ª instância não tornará insustentável o aumento da população carcerária?

Os juristas da FGV afirmam que não. Mas, sabe-se a superpopulação carcerária representa um dos principais problemas que maculam o Sistema Prisional Brasileiro, sufocado pela carência de Políticas Públicas para a reintegração do preso e do internado à sociedade.

Em algumas unidades prisionais essa questão se apresenta de forma gritante. A superlotação carcerária, sem dúvidas, consiste em uma afronta aos direitos fundamentais em face do princípio da dignidade da pessoa humana (um dos alicerces do ordenamento jurídico brasileiro) e da garantia constitucional prevista art. , XLIX, CF/88.

O STF falhou ao optar pela prisão em segunda instância?

No Brasil, a nossa Constituição conjuga presunção de inocência com o trânsito em julgado de decisões e por isso entende-se que há um “freio” para os juristas.

Nesse ponto, percebe-se que o Supremo Tribunal Federal andou mal, mas não simplesmente por tomar uma decisão que altera o sentido possível da Constituição – fruto da vontade do constituinte originário -, e sim por restringir direitos. É nesse ponto que há um grande problema: a mutação constitucional deve ocorrer para ampliar direitos conquistados, e não para restringir como fez o Tribunal de Cúpula ao julgar a constitucionalidade da prisão após a segunda instância.

O Princípio da Progressividade dos direitos é corolário do próprio ordenamento jurídico brasileiro, e o ativismo judicial do STF foi de encontro a esse Princípio que, ao contrário, deveria ser resguardado pelos Guardiões da Constituição Cidadã.


Shamara Ferreira é graduanda em Direito pela PUC-GO. Associada ao Instituto de Estudos Avançados em Direito e membro dos núcleos Universitário, Direito Penal, Direito Processual Civil e Direito Constitucional. Seu e-mail para contato é: shamaraferreira2016@gmail.com. Está no Instagram como @_shamaraferreira e no Facebook como Shamara Ferreira.


Fontes: Superior Tribunal Federal, Constituição Federal/88, Procuradoria Geral da República – MPF.

O IEAD é uma entidade técnico-científica, estruturado como associação privada, sem fins lucrativos nem filiação partidária, com ampla atuação nacional, com inclusões estaduais por meio de suas diretorias.

Fernando Lazarini

3 dias atrás

Toda Lei tem uma função precípua: Proteger a Sociedade de Bem contra os Ataques da Sociedade Irresponsável. Isto vale desde o Código Hamurábi ou as Leis Mosáicas.

E por um motivo muito simples: A Sociedade de Bem faz a Nação crescer, tornar-se grande e com isto prosperar todos os que estão nela. É muito óbvio este preceito. A Sociedade Irresponsável age para degradar este crescimento e portanto deve ser punida para que não atrapalhe este crescimento.

Mas nossa Constituição não foi feita neste sentido. Ele pune o responsável e protege o irresponsável. Ou seja, direitos sem deveres.

“Os juristas da FGV afirmam que não. Mas, sabe-se a… continuar lendo

Newton Albuquerque

2 dias atrás

Rasamente, o problema reside na quantidade de recursos. Qualquer um com advogados bem pagos alega violação a “direitos constitucionais” e o caso chega ao Supremo.

A segunda instância deveria fazer coisa julgada quando fosse votação unânime e pronto.

É pouco crível que, após instrução processual, atuação da Polícia, da Defesa e do Ministério Público, um juiz singular e todos os desembargadores cometam erros a ponto de condenar um inocente.

A questão só está em voga por causa do petralha canhoto… continuar lendo

Zuleica Ramos de Morais

2 horas atrás

Verdade. Antes do molusco, milhares foram presos e lá ainda se encontram sem chorumelas. Pior alguns que nem foram julgados por órgão colegiados e continuam presos.

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Mais uma armadilha do novo Código de Processo Civil: o início do prazo de contestação.

Mais uma armadilha do novo Código de Processo Civil: o início do prazo de contestação

Com o advento do Código de Processo Civil agora vigente, deparamo-nos com inúmeras regras que aparentemente correspondem a mera reprodução de dispositivos que então constavam do diploma revogado.

É, de fato, interessante observar, depois de anos e anos de exercício profissional, o hábito que temos de raciocinar como se nada tivesse sido alterado, mesmo diante de modificações introduzidas na lei. Diz conhecido provérbio popular que o uso do cachimbo faz a boca torta.

Assim, dada a aplicação imediata das normas processuais, todo cuidado é pouco, sobretudo no que concerne a determinadas questões, cuja desatenção pode ser fatal, colocando o advogado numa situação realmente desconfortável.

Em coluna anterior, publicada sob o título “Início do prazo de contestação no novo Código de Processo Civil”, procurei esclarecer que o cômputo do dies a quo do prazo para a oferta de contestação no regime do velho código (artigo 297) era bem mais simplificado. Como o Código de Processo Civil em vigor valorizou, em muito, a audiência de conciliação ou de mediação, o início do prazo de contestação passou a se sujeitar a inúmeras variantes, merecendo toda atenção.

Todavia, apesar de me debruçar com muita frequência na análise do novo estatuto processual, não tinha me dado conta de uma importante alteração, que pode propiciar muita dor de cabeça aos advogados.

A esse propósito, vale dizer, em matéria de prazo, o artigo 224 do estatuto processual vigente reproduz quase que literalmente a redação do antigo artigo 184, ao dispor, no caput, que: “Salvo disposição em contrário os prazos serão contados excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento”. Como facilmente se infere, nenhuma dúvida emerge dessa regra geral, de natureza processual, até porque os seus três parágrafos são suficientemente claros, em particular o parágrafo terceiro, que preceitua: “A contagem do prazo terá início no primeiro dia útil que seguir ao da publicação”.

Importa ter presente, contudo, que tal verba legislativa expressamente admite “disposição em contrário”, como, aliás, já ocorria sob a égide do diploma processual revogado.

Até aqui, sem qualquer novidade.

Ocorre que, para minha surpresa, ao reler o enunciado do artigo 231 do novo código, notei que sua respectiva redação contém relevante e explícita alteração. Reza, com efeito, esse referido preceito legal que: “Salvo disposição em sentido diverso, considera-se dia do começo do prazo: I – a data de juntada aos autos do aviso de recebimento, quando a citação ou a intimação for pelo correio; II – a data de juntada aos autos do mandado cumprido, quando a citação ou a intimação for por oficial de justiça (…)” (g. n.).

Veja-se bem: a norma alude ao “dia da juntada aos autos” como aquele em que o prazo de contestação se inicia. Trata-se, em princípio, diante de tal inusitada redação, de exceção autorizada à regra geral ditada pelo supra transcrito artigo 224.

Assim, ao que tudo indica, ao menos numa interpretação literal do artigo 231, c/c. a do artigo 335, inciso III, do Código de Processo Civil, o dies a quo do cômputo do prazo para contestação é aquele da própria juntada aos autos do aviso de recebimento ou do mandado devidamente cumprido, bem como nas outras hipóteses discriminadas em seus inúmeros incisos.

Entendo que não há qualquer justificativa plausível para essa infeliz modificação na redação do revogado artigo 184, até porque a recente doutrina que está sendo erigida sobre o novel diploma processual não enfrenta essa questão ou, sem se deter sobre o tema, apenas pressupõe que nada foi alterado na contagem do prazo para contestação.

Ademais, arrisco-me a vaticinar que igualmente os tribunais, que ainda não tiveram oportunidade para uma correta exegese acerca dessa questão, também não prestigiarão a aparente reforma introduzida pelo caput do artigo 231.

A esse respeito, já sob a vigência do novo Código de Processo Civil, um único precedente por mim encontrado, em que se discutia, como questão central, matéria atinente a direito intertemporal, a 13ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, no julgamento do Agravo de Instrumento 1000580-13.2016.8.26.0047, da relatoria da desembargadora Flora Maria Nesi Tossi Silva, abordou, apenas de passagem, o ponto que aqui interessa, deixando entrever que o prazo de contestação começa a fluir no primeiro dia útil após a juntada do mandado.

Embora fique aqui registrada a minha preocupação como advogado militante, apressando-me a compartilhá-la com os demais estimados operadores do direito, espero que tal posicionamento pretoriano seja secundado, visto que lastreado em interpretação mais adequada e condizente com a tradicional sistemática relativa ao cômputo dos prazos processuais, em particular daquele para apresentação da contestação.

Por José Rogério Cruz e Tucci
Fonte: Conjur

4 comentários

  1. Dr. Parabéns pelo trabalho!

    Pode comentar também a respeito do
    Início do prazo que houver vários réus?

    Seria interessante. Forte abraço e sucesso.

    Att.,

    Ivan

    Responder

    Poderia ser mais simplificado e direto. Muito rebuscado.

    Responder

  2. Eu tinha me debruçado sobre esse mesmo questionamento poucos dias atrás! Mas como o dispositivo do art 224 que fala sobre a contagem “excluindo o dia do começo…” e o dispositivo do 231 tbm fala em “considera-se dia do começo do prazo” acho que é só excesso de malícia nossa mesmo… hehehe

    Responder

  3. E como fica a interpretação da primeira parte do caput do art. 231, que diz: “Salvo disposição em sentido diverso”, em relação aos dispositivos diversos, como o art. 224 e seus parágrafos, por exemplo?

    Responder

[Modelo] Ação de Execução de Título Extrajudicial

[Modelo] Ação de Execução de Título Extrajudicial

Com fiador

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Publicado por Xarmeni Neves

AO JUÍZO DE DIREITO DE UMA DAS VARAS CÍVEIS DA COMARCA DE GUARATINGUETÁ, SÃO PAULO

EDIMILSON xxxxxxxxxx, brasileiro, casado, vistoriador de veículos, RG n. 11111111111, CPF n. 2222222222222222, residente e domiciliado à Rua Oi, n. 1, Parque Tchau, CEP 3333333333333, na cidade de Guaratinguetá, Estado de São Paulo, telefone (12) 444444444444, por sua advogada legalmente constituída, Dra. Xarmeni Neves, brasileira, solteira, OAB/SP n. 387.430, endereço profissional descrito em rodapé e procuração anexa, vêm, perante V. Exa., com base nos arts. 783 e ss do CPC, bem como pelas seguintes razões de fato e de direito, propor a presente

AÇÃO DE EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL

em face de PAULO xxxxxxxxxxxxx, brasileiro, divorciado, carreteiro/motorista, RG nº 5555555555555, CPF n. 66666666, residente e domiciliado à Rua Tudo Bem, n. 2, bairro Tamujunto, nesta comarca, CEP 66666666 e da FIADORA – APARECIDA xxxxxxxxxxxxxxx, brasileira, viúva, do lar, RG n. 7777777777777, CPF nº 888888888888, residente e domiciliada à Rua To Indo, n. 3, Bairro Fui, CEP 99999999, também nesta comarca, pelos fatos e fundamentos a seguir:

I – DOS FATOS:

Em 26 de julho de 2017, os executados firmaram com o exequente, contrato particular de compra e venda de veículo, no qual o objeto do contrato era um trator TRA/C, a diesel, placa JJJ 0000, Chassi 9BOLAFOFA355, marca Volvo, modelo VM 310 4x2T, ano 2008, modelo 2009, na cor branca, RENAVAM 0044444, no valor de R$ 70.000,00 (setenta mil reais), a ser pago em 20 (vinte) prestações mensais e consecutivas de R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais), vencendo a primeira dia 5 de outubro de 2017 e as demais, todo dia 5 de cada mês.

A segunda executada assumiu a dívida como avalista/fiadora, na qualidade de principal pagadora e devedora solidária, abrindo mão, expressamente, do benefício de ordem e faculdade de exoneração da fiança previstos na lei civil e em conformidade a Cláusula Sétima do contrato – DA GARANTIA CONTRATUAL.

Ocorre, todavia, que os executados não cumpriram com o contrato, adimplindo somente os seguintes valores:

1 – R$ 600,00 (seiscentos reais) em 02 de novembro de 2017;

2 – R$ 3.000,00 (três mil reais) em 01 de dezembro de 2017;

3 – R$ 500,00 (quinhentos reais) em 20 de maio de 2018;

4 – R$ 880,00 (oitocentos e oitenta reais) em 04 de julho de 2018.

As parcelas pagas perfazem um total de R$ 4.980,00 (quatro mil, novecentos e oitenta reais).

O exequente cansou-se de cobrar os executados, até que deixaram de atendê-lo ao telefone, responder seus recados por meio de aplicativo ou de recebê-lo em suas residências, não restando outra forma de receber seus valores a não ser por meio judicial.

Sendo assim, considerando que o patrimônio vale R$ 70.000,00 e só pagaram o valor de R$ 4.980,00 até hoje, a inadimplência resultou em saldo devedor no valor de R$ 65.020,00 (sessenta e cinco mil e vinte reais), montante esse ao qual foi acrescido de correção monetária, juros de 1% ao mês, multa compensatória descrita na Cláusula Terceira do contrato firmado entre as partes no importe de 20% (vinte por cento) e despesas com advogado no valor de 10% (dez por cento), consoante demonstra a planilha abaixo, cumprindo o estabelecido no art. 798 do CPC:

PLANILHA

Saldo devedor

Corrç. Monetária

(67,012723 out/2017 e 69,675294 out/2018 – tabela TJSP)

Juros 1% a.m.

12% a.a.

Multa contratual

20%

Cláusula 3ª

Honorários Adv

10%

R$ 65.020,00

R$ 2.583,39

R$ 8.112,41

R$ 15.143,16

R$ 9.085,89

Saldo total

R$ 67.603,39

R$ 75.715,80

R$ 90.858,96

R$ 99.944,85

Por esse motivo, a inadimplência resulta hoje em saldo devedor de R$ 99.944,85 (noventa e nove mil, novecentos e quarenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos).

II – DO TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL:

Desta forma, o exequente é credor dos executados, das quantias líquidas, vencidas e exigíveis até a data atual, oriundas do contrato particular de compra e venda de veículo firmado entre as partes bem como pelos amplos e irrestritos poderes mencionados na procuração pública juntada aos autos, documentos estes que compõe o presente título executivo extrajudicial (art. 784, III do CPC), bem como de todas as demais parcelas vincendas decorrentes do título executivo extrajudicial em conformidade com o previsto nos arts. 784, III, art. 786 e art. 789 do Novo Código de Processo Civil.

Todos os documentos comprobatórios do direito do exequente encontram-se anexos.

Conforme já foi dito, na Cláusula Sétima do contrato, a fiadora declara que possui patrimônio suficiente para solver a dívida constante no instrumento, possuindo fração ideal de 50% (cinquenta por cento) do imóvel residencial na presente comarca, qual seja, imóvel matriculado no CRI de Guaratinguetá sob o n. 2225, ficando este afetado para pagamento da obrigação assumida pelo executado/comprador, seu filho.

Sendo assim, tal bem imóvel foi dado em garantia ao exequente, conforme a Cláusula já mencionada, em seu item 7.2, devendo ser submetida a averbação junto ao Cartório de Registro de Imóveis em nome do exequente.

Atualmente, tal imóvel foi arrolado como patrimônio no espólio mencionado abaixo.

III – DO PROCESSO DE INVENTÁRIO:

Em conformidade ao art. 779 do CPC, pode a execução ser promovida contra o espólio e o fiador do débito constante em título extrajudicial.

No caso ora em análise, soube-se que os executados são herdeiros junto ao Inventário (físico) de n. 0000000000.2015.8.26.0220, que tramita na 1ª Vara Cível desta comarca (petição inicial dos autos em anexo), cujo valor é de R$ 295.328,01 (duzentos e noventa e cinco mil, trezentos e vinte e oito reais e um centavo), onde a fiadora do título extrajudicial objeto desta ação é viúva e o executado é um dos filhos, restando provada a capacidade de honrar com a dívida diante dos inúmeros imóveis herdados elencados no espólio, o que desde já se requer a título de penhora, conforme art. 829, § 2º do CPC.

Eis jurisprudência a respeito:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONDOMÍNIO. AÇÃO DE REGRESSO. FALECIMENTO. AÇÃO AJUIZADA CONTRA O ESPÓLIO NO CURSO DO INVENTÁRIO. AÇÃO DIRECIONADA CONTRA OS HERDEIROS APÓS A HOMOLOGAÇÃO DA PARTILHA. RESPONSABILIDADE DOS HERDEIROS ATÉ OS LIMITES DA HERANÇA. Legitimidade passiva para a cobrança. Tratando-se de dívida do espólio, subsiste a responsabilidade dos herdeiros pelo débito até os limites da herança. Possibilidade de direcionamento da execução contra os herdeiros, nos termos da decisão agravada. AGRAVO DE INSTRUMENTO DESPROVIDO. UNÂNIME. (Agravo de Instrumento Nº 70077069615, Décima Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Giovanni Conti, Julgado em 28/06/2018).

IV – DA JUSTIÇA GRATUITA:

O exequente não tem condições de arcar com as despesas do processo.

São insuficientes seus recursos financeiros para pagar todas as despesas processuais, conforme se depreende pela demonstração de sua carteira de trabalho, sua declaração de Imposto de Renda e pela declaração de hipossuficiência econômica.

Sendo assim, roga pela gratuidade processual.

V – DOS PEDIDOS:

Face ao exposto, requer:

1 – A fim de concentrar os atos num mesmo instrumento, bem como para facilitar sua realização, requer a expedição de mandado de citação e penhora dos executados nos endereços acima fornecidos, para que, no prazo de 3 (três) dias, paguem o valor devido, na forma do art. 829 do CPC, ou apresentem embargos à execução ou, ainda, parcelem a dívida na forma prevista no art. 916 do CPC;

2 – Que, no mandado de citação a ser expedido, conste também ordem de penhora e avaliação a ser cumprida pelo Sr. Oficial de Justiça tão logo verificado o não pagamento da dívida no prazo assinalado, consoante determinação do art. 829, § 1º do CPC. Para fins de cumprimento do ato expropriatório, requer seja facultado ao Sr. Oficial de Justiça o emprego da força policial e ordem de arrombamento, na forma do art. 782, § 2º do CPC;

3 – Caso os executados não sejam encontrados, ou em caso de tentativa de frustrar a execução, requer o arresto de bens suficientes para garantir a execução, consoante art. 830 do CPC, respeitando-se, contudo, as restrições contidas na Carta Magna, atinentes aos direitos e garantias individuais dos executados, e, após, dando-se ciência ao exequente do arresto realizado;

4 – Sejam, de pronto, estipulados honorários advocatícios, na ordem de 10% (dez por cento) sobre o valor total do débito, consoante art. 827, caput, do CPC, os quais poderão ser reduzidos pela metade caso os executados paguem a dívida no prazo previsto;

5 – Sejam os executados inscritos em cadastro de inadimplentes, na forma do art. 782, § 3º do CPC;

6 – Requer seja realizada por esse juízo, através dos convênios INFOJUD, RENAJUD e BACENJUD, o bloqueio de veículos, valores ou outros bens suficientes para o pagamento da obrigação em nome dos executados;

7 – O exequente, consoante lhe é facultado pelo art. 798, II, c, c/c art. 829, § 2º, art. 835, I e art. 854, todos do CPC/2015, indica desde já à penhora os bens constantes no processo de Inventário (físico) de n. 00000000000.2015.8.26.0220, que tramita na 1ª Vara Cível desta comarca, autos anexos, cujo valor é de R$ 295.328,01 (duzentos e noventa e cinco mil, trezentos e vinte e oito reais e um centavo), onde os executados figuram como legítimos herdeiros.

8 – Requer sejam os executados condenados a arcar com as custas e despesas judiciais, assim como honorários sucumbenciais.

Dá-se a presente o valor de R$ 99.944,85 (noventa e nove mil, novecentos e quarenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos), para efeitos meramente ficais.

Nestes termos, pede deferimento.

Guaratinguetá, 10 de outubro de 2018.

Dra. Xarmeni Neves

OAB/SP n. 387.430

Vamos pra cima!

Advogada, pós-graduada, professora, escritora e mãe de menina. Não necessariamente nesta ordem
FONTE JUS BRASIL

Embargos de declaração no processo de trabalho conforme o Novo CPC

Embargos de declaração no processo de trabalho conforme o Novo CPC

Os embargos de declaração são um instrumento jurídico por meio do qual uma das partes pode pedir esclarecimentos ao juiz ou tribunal sobre a decisão judicial proferida. Também conhecidos como embargos declaratórios, por meio deles é possível resolver dúvidas causadas por contradições ou obscuridades. Do mesmo modo, pode-se suprir omissões; ou, ainda, apontar erros materiais.

Os embargos de declaração podem ser também aplicados ao processo de trabalho. Isto desde que respeitados os prazos e condições estabelecidos pelo Código de Processo Civil. E o Novo CPC trouxe algumas alterações em relação a esse instrumento. Neste post, você confere o que mudou.

Embargos de declaração

Embargos de Declaração são recurso?

Antes de seguir adiante, merece esclarecimento uma das principais dúvidas sobre os embargos de declaração. Eles são ou não uma forma de recurso? Segundo o Novo Código de Processo Civil, sim. Um vez que estão incluídos no rol de recursos no Novo CPC em seu artigo 994, podem ser assim considerados. Apesar disso, esta não é uma inovação. De fato, os embargos de declaração já estavam incluídos entre os recursos desde o Código anterior, em seu art. 496, inciso IV.

A Instrução Normativa  nº 39/2016 do TST dispõe que o Código de Processo Civil será aplicado subsidiariamente e supletivamente às normas da CLT. Do mesmo modo, os artigos 893, I, e 897-A, CLT, concedem status recursal aos embargos declaratórios. Assim, quando uma parte interpõe este recurso em um processo de trabalho, ela é chamada de embargante. Já a parte contrária é chamada de embargada. E o status do processo, assim, indicará “opostos embargos de declaração”.

Embargos de Declaração no processo de trabalho

A aplicação dos embargos de declaração no processo de trabalho tem previsão legal. Segundo o artigo 897-A da CLT, cabem embargos de declaração da sentença ou acórdão. Essa limitação espelha-se no Código de Processo Civil de 1973, diante da redação do art. 535 e seu inciso I. O dispositivo dispunha o cabimento do recurso quando em face de obscuridade ou contradição em sentença ou acórdão.

No entanto, é imprescindível observar que há uma importante diferença para a previsão do Novo CPC. Diferentemente, o artigo 1.022, NCPC, dispõe que cabem embargos de declaração contra qualquer decisão.

A instrução normativa nº 39/2016, que dispõe acerca das mudanças do Novo CPC no processo do trabalho, recebe o artigo 1.022. O art. 9º da instrução dispõe que:

Art. 9º O cabimento dos embargos de declaração no Processo do Trabalho, para impugnar qualquer decisão judicial, rege-se pelo art. 897-A da CLT e, supletivamente, pelo Código de Processo Civil (arts. 1022 a 1025; §§ 2º, 3º e 4º do art. 1026), excetuada a garantia de prazo em dobro para litisconsortes (§ 1º do art. 1023).

Pela interpretação do dispositivo, portanto, entende-se que a mudança no Código de Processo Civil influencia também os processos trabalhistas. E, dessa maneira, passa-se a aceitar embargos de declaração a qualquer decisão judicial.

Prazo dos embargos de declaração

Segundo o Novo CPC, os embargos de declaração são o único recurso cujo prazo é contado de maneira diferente. Em vez de quinze dias para propositura e para julgamento, são cinco dias, de acordo com o art. 1.023. Esse prazo já era previsto no CPC/73, em seu artigo 536.

O prazo de cinco dias para propositura dos embargos de declaração também está previsto no caput do artigo 897-A da CLT. No entanto, ele não é mencionado em relação ao prazo para julgamento. Ao invés disso, o dispositivo afirma que o julgamento deverá ocorrer “na primeira audiência ou sessão subsequente a sua apresentação”.

Outro prazo importante, presente tanto no NCPC quanto na CLT, é o prazo de cinco dias para manifestação do embargado. Este se aplica quando o acolhimento dos embargos de declaração implica na modificação da decisão judicial.

Finalmente, cabe notar que tanto o CPC/2015 quanto a CLT afirmam que os embargos de declaração interrompem o prazo para interposição de recursos à decisão. Isto está previsto no art. 1.026 do Novo CPC  e no § 3º do art. 897-A da CLT. Do mesmo modo, já era a previsão do CPC/73, em seu art. 538. Contudo, importante observar três exceções da CLT a essa interrupção

  • Interposição intempestiva;

  • Representação irregular da parte;

  • Ausência de assinatura da parte.

Além disso, o Novo CPC também traz algo de diferente, ao afirmar que os embargos de declaração não suspendem os efeitos da decisão em si (ver artigo 1.026 do NCPC). Ressalte-se que o efeito suspensivo no Novo CPC fica, via de regra, limitado a um tipo de recurso: a apelação.

Cabimento dos embargos de declaração

Conforme já vimos, os embargos de declaração são cabíveis apenas em algumas hipóteses específicas. É necessário que haja:

  • Contradição ou obscuridade;

  • Omissão;

  • Ou erro material.

A previsão de erro material é uma inovação do artigo 1.022 do CPC/2015, pois não havia tal previsão no CPC/73.

Outra novidade do Novo CPC foi definir o que pode ser considerado como omissão. De acordo com o artigo 1.022, parágrafo único, I e II, é omissa a decisão que:

  1. deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento;
  2. incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489, § 1o.

Nota-se que o artigo 489, §1º, do NCPC enumera as razões pelas quais uma decisão judicial pode ser considerada não-fundamentada. São seis hipóteses, que vão desde a mera reprodução do texto de lei até ausência injustificada de consideração de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pelas partes.

Embargos de declaração e obscuridade

Entende-se por obscura a decisão judicial em que o entendimento é prejudicado. Isto devido, principalmente, à maneira como foi formulada. Deve-se ter em mente que a clareza é requisito importante para o acesso do homem à Justiça. A sua ausência, em contrapartida, pode levar à alienação e gerar efetivos prejuízos.

Assim, ao incluir a obscuridade entre as hipóteses de cabimento de embargos de declaração, a legislação zela por princípios constitucionais fundamentais, como o devido processo legal.

Embargos de declaração e erro material

Os embargos de declaração são cabíveis quando há erro material. Isto é, diante de erro causado por equívoco ou inexatidão referente a aspectos objetivos (como um cálculo incorreto), que não envolve defeito de juízo. Ademais, a CLT determina que os erros materiais também poderão ser corrigidos de ofício ou mediante requerimento de qualquer das partes, conforme artigo 897-A, §1º.

Embargos de declaração trabalhista e modificação da decisão judicial

Quando se fala dos prazos, está implícito que os embargos de declaração podem, sim, levar à modificação da decisão judicial. Porém, a legislação trabalhista é taxativa ao dizer que qualquer modificação apenas poderá ocorrer para a correção de vício (ver artigo 897-A, §2º da CLT).

No mesmo sentido, a Súmula 278 do TST dispõe que “a natureza da omissão suprida pelo julgamento de embargos declaratórios pode ocasionar efeito modificativo no julgado”.

Embargos de declaração e efeito protelatório

Infelizmente, não é raro que os embargos de declaração sejam utilizados para ganhar tempo. Diante dessa ocorrência, considera-se haver litigância de má-fé. Tendo isso em mente, o legislador criou medidas para coibir o mau uso deste instrumento.

No CPC/73, já havia previsão de multa para os embargos meramente protelatórios. O Novo CPC reafirma e aprofunda essa política, aumentando o valor da multa inicial. Com isso, a multa passa de 1% para 2% do valor atualizado da causa. Além disso, determina que, após dois embargos considerados protelatórios, não será permitida propositura de novos embargos de declaração. As sanções estão dispostas no artigo 1.026, §2º a §4º, do NCPC.

Analisa-se, assim, a decisão do TST em que se aplica multa a embargos de declaração protelatórios:

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DESPROVIDOS. MULTA PELA INTERPOSIÇÃO DE EMBARGOS DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS. Não existindo necessidade de prequestionamento na decisão embargada, em que se analisou a matéria arguida por inteiro e de forma fundamentada, são absolutamente descabidos e meramente procrastinatórios os embargos de declaração com vistas a apenas polemizar com o julgador naquilo que por ele já foi apreciado e decidido de forma clara, coerente e completa. Flagrante, pois, a natureza manifestamente protelatória dos embargos interpostos pela reclamada […] deve ser-lhe aplicada a multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do disposto no artigo 1.026, § 2º, do CPC/2015 c/c o art. 769 da CLT, a ser oportunamente acrescida ao montante da execução. Embargos de declaração desprovidos.

(TST, 2ª Turma, ED-AIRR – 1906-54.2015.5.22.0004 , rel. Min. José Roberto Freire Pimenta, julgado em 20/09/2017, publicado em 29/09/2017)

Embargos de declaração e segurança da prestação jurisdicional

Os embargos de declaração são um importante instrumento no processo de trabalho,  visto que asseguram a melhor prestação jurisdicional. Além disso, conhecê-los também é necessário para evitar a ocorrência de embargos que violam a boa-fé processual. Finalmente, outra boa razão para estar atento ao tema é evitar a perda do prazo processual para se manifestar sobre os embargos, quando eles puderem modificar a decisão judicial e gerar prejuízos ao embargado.

Esses são os principais aspectos dos embargos de declaração no processo de trabalho, em uma correlação com as disposições do Novo CPC.

FONTE:

STF disponibiliza para download Constituição Federal comentada (Legislação anotada)MATERIAL DE INTERESSE DO ADVOGADO

STF disponibiliza para download Constituição Federal comentada (Legislação anotada)

 

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Os usuários do site do Supremo Tribunal Federal (STF) podem acessar para pesquisa e download o livro A Constituição e o Supremo. A obra apresenta, abaixo de cada artigo da Constituição Federal, uma série de julgados relativos à temática abordada no dispositivo.

Download aqui

Os interessados podem fazer o download da obra completa ou realizar pesquisa por tema ou artigo. Por exemplo, ao pesquisar pelas palavras “dignidade da pessoa humana” o usuário encontrará associados ao inciso III, do artigo 1º da Carta Magna, julgados que tiveram como tema esse princípio constitucional. Um deles é a Proposta de Súmula Vinculante 57, ocasião em que foi aprovada a Súmula Vinculante 56, segundo a qual “a falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS”. O enunciado foi aprovado na sessão plenária realizada em 29 de junho de 2016.

Na sessão de direitos e garantias fundamentais, estão relacionados vários julgamentos relevantes que debateram o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança ou à propriedade. Um dos principais julgados nessa sessão é a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3330, em que foi considerado constitucional o Prouni, tendo como fundamento o princípio da igualdade.

Download PDF, EPUB e MOBI

– A 5ª edição da versão eletrônica do livro A Constituição e o Supremo (atualizada com os julgados do Tribunal publicados até o DJE de 1º de fevereiro de 2016 e Informativo STF 814) pode ser baixada nos formatos PDF, EPUB e MOBI.
– A versão com atualização diária está disponível no link Portal do STF>Publicações>Legislação Anotada.
– Sobre a disponibilidade da versão impressa, consulte o link da Livraria do Supremo.

Os usuários podem colaborar com o conteúdo enviando comentários para o e-mail preparodepublicacoes@stf.jus.br.

Leis infraconstitucionais

Além do texto constitucional, a Secretaria de Documentação do STF, responsável pela publicação, também oferece acesso às Leis 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e OAB), 9.868/99 (ADI, ADC e ADO) e 9.882/99 (Lei da ADPF) anotadas com decisões proferidas pelo Supremo na matéria correlata.

Fonte: stf jus

Será que é verdade que ninguém pode ser preso em período eleitoral?

Será que é verdade que ninguém pode ser preso em período eleitoral?

Publicado por Custódio & Goes Advogados

No período de eleições não é incomum nos depararmos com “verdades absolutas” compartilhadas sem critério em redes sociais, um dos exemplos recorrentes é a chamadinha “cuidado ao sair e chegar em casa, os bandidos vão estar a todo vapor, pois não poderão ser presos até terça-feira”. No entanto, será que tal afirmação é verdadeira?

A resposta é: depende. Via de regra, não podem haver prisões, desde 5 (cinco) dias antes e até 48 (quarenta e oito) horas depois do encerramento da eleição, conforme preconiza o Código Eleitoral em seu art. 236 in verbis:

Art. 236. Nenhuma autoridade poderá, desde 5 (cinco) dias antes e até 48 (quarenta e oito) horas depois do encerramento da eleição, prender ou deter qualquer eleitor, salvo em flagrante delito ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou, ainda, por desrespeito a salvo-conduto.

No entanto, de acordo com o referido artigo, há três possibilidades que permitem a prisão no período que antecede o dia da votação e 48 (quarenta e oito) horas depois de seu encerramento, sendo elas:

– Crimes cometidos em flagrante;

– Em virtude de Sentença criminal condenatória por crime inafiançável (racismo, tortura, tráfico de drogas, terrorismo, participa em ações de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático);

– Desrespeito a salvo conduto, isto é, impedir ou atrapalhar o exercício do direito de voto de outro eleitor.

Também não poderão ser detidos ou presos, durante o exercício de suas funções, salvo em caso de flagrante delito no período de 15 (quinze) dias antes da eleição, os membros das mesas receptoras e os fiscais de partido bem como os candidatos.

Nas eleições de 2018 não poderão ser presos:

1º Turno:

Eleitores: de 02 de outubro/2018 até 09 de outubro/2018;

Membros da mesa receptora, fiscais de partido e candidatos: de 22 de outubro/2018 até 09 de outubro/2018.

2º Turno, caso ocorra:

Eleitores: de 23 de outubro/2018 até 30 de outubro/2018;

Membros da mesa receptora, fiscais de partido e candidatos: de 13 de outubro/2018 até 30 de outubro/2018.

Lembrando que caso ocorra qualquer prisão o preso será imediatamente conduzido à presença do juiz competente que, se verificar a ilegalidade da detenção, a relaxará e promoverá a responsabilidade do coator.

Tal medida visa prevenir que as prisões sejam utilizadas como armas para prejudicar algum candidato, garantindo, assim, a ordem e o equilíbrio nas eleições.

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autor: Evelise Goes, advogada e sócia do Custódio & Goes Advogados

fonte: Jus Brasil

 

[Modelo] Revisão Criminal com pedido de Tutela Antecipada de Urgência

[Modelo] Revisão Criminal com pedido de Tutela Antecipada de Urgência

Ação de Revisão Criminal ajuizada após a retratação da vítima em Justificação Criminal. O revisionando havia sido condenado pelo crime de estupro de vulnerável.

REVISÃO CRIMINAL
Publicado por Brendo De Castro

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DAS CÂMARAS REUNIDAS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO AMAZONAS

*verificar no seu tribunal de quem é a competência para julgar a revisão criminal*

Ação Penal originária nº:

Justificação Criminal nº:

FULANO DE TAL, nacionalidade, estado civil, profissão, RG nº, CPF nº, residente e domiciliado na Rua Castro Alves, nº 100, Cidade dos Poetas Mortos, CEP 10000-000, Cidade/UF, endereço eletrônico fulano@hotmail.com, por intermédio de seu advogado devidamente constituído, conforme procuração anexa, vem, perante Vossa Excelência, ajuizar a presente

REVISÃO CRIMINAL

(com pedido de tutela antecipada de urgência)

com fundamento no art. 621, II e III, do Código de Processo Penal, adotando os fundamentos de fato e de direito doravante delineados.

I – DOS FATOS

1. O Requerente foi denunciado pelo Ministério Público nas penas dos artigos art. 217-A, caput, c/c art. 226, II, todos do Código Penal (proc. nº 123456789), por haver, alegadamente, praticado atos libidinosos diversos da conjunção carnal em sua enteada B. M. S., em meados de setembro de 2015, conforme cópia da denúncia anexa.

2. Após a devida instrução probatória, restou o Requerente condenado à pena de 12 (doze) anos de reclusão, a ser cumprida inicialmente no regime fechado, conforme sentença condenatória anexa.

3. Insta ressaltar, neste ponto, que o Magistrado de 1º Grau fundamentou o decreto condenatório, essencialmente, na palavra da suposta vítima, in verbis:

(transcrever trecho da sentença)

4. Em seguida à condenação em 1ª instância, a defesa do Requerente interpôs Recurso de Apelação e, após o julgamento do recurso pelo Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (cópia do recurso e do acórdão em anexo), a condenação transitou em julgado (cópia da Certidão de Trânsito em Julgado em anexo), sendo expedido Mandado de Prisão em desfavor do Requerente.

5. No entanto, surgiram novas provas que inocentam o Requerente do crime de estupro (Art. 217-A, caput, c/c Art. 226, II, todos do Código Penal), posto que a suposta vítima, ao saber que o Requerente fora condenado à pena de 12 anos de prisão por um crime que não cometeu, escreveu uma carta a próprio punho (anexa) pedindo perdão pelas mentiras que contou, dizendo-se arrependida e pretendendo “retirar a queixa”, cujo teor se transcreve:

(adequar ao caso concreto)

6. A referida carta foi entregue ao Requerente pela própria Requerente, o que deu ensejo ao ajuizamento da Justificação Criminal nº 987456321, na qual a suposta vítima ratificou, em Juízo, perante o Magistrado de Primeiro de 1º Grau e o Promotor de Justiça, de forma a possibilitar o contraditório, o teor das declarações escritas na carta.

7. Nesse panorama, ao contar com a decisão condenatória transitada em julgado, bem como com a existência de novos fatos, ratificados em sede de Justificação Criminal, que provam a inocência do Requerente em relação ao crime sexual, estão preenchidos os requisitos que autorizam o pedido de revisão criminal, com fulcro no art. 621, II, III, do Código de Processo Penal, conforme será abaixo demonstrado.

II – DO DIREITO

8. O art. 621, incisos II e III, do Código de Processo Penal, prevê a possibilidade de o ingresso de Revisão Criminal na hipótese de a condenação ter sido fundamentada em depoimento comprovadamente falso, bem como na hipótese de surgimento de novas provas de inocência, após o trânsito em julgado, in verbis:

“Art. 621. A revisão dos processos findos será admitida:

I – quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal ou à evidência dos autos;

II – quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos, exames ou documentos comprovadamente falsos;

III – quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do condenado ou de circunstância que determine ou autorize diminuição especial da pena.”

9. Desta feita, uma vez que B. M. S. (suposta vítima), hoje com 18 (dezoito) anos de idade, após o trânsito em julgado do decreto condenatório do Requerente, prestou depoimento confirmando a falsidade de suas declarações prestadas nos autos do processo nº 123456789, resta devidamente evidenciada tanto a hipótese do art. 621, II, do CPP (depoimento comprovadamente falso), quanto a hipótese do art. 621, III, do CPP (prova nova de inocência), razão pela qual a presente Revisão Criminal é plenamente cabível.

10. Neste passo, conforme já demonstrado acima, a sentença condenatória, confirmada em sede de Recurso de Apelação, fundamentou-se, essencialmente, na palavra da suposta vítima, depoimento comprovadamente falso (conforme restou demonstrado pelo teor da carta escrita pela suposta vítima e pelo seu depoimento em sede de Justificação Criminal), razão pela qual não mais subsiste o alicerce sobre o qual se baseou a condenação, merecendo esta ser revista, com a consequente absolvição do Requerente do crime sexual.

11. Saliente-se que não foi produzida nenhuma outra prova nos autos do processo de conhecimento apta a sustentar a condenação do acusado. Tanto é assim que o laudo de conjunção carnal e anal restou NEGATIVO para a prática de atos libidinosos.

12. Além disso, o Relatório Psicossocial não é uma prova autônoma, porquanto também é elaborado com base na palavra da suposta vítima.

13. Sobre a matéria, a jurisprudência deste Egrégio Tribunal de Justiça do Amazonas é clara em prever que, nas hipóteses de condenação pela prática do crime de estupro de vulnerável fundamentada primordialmente na palavra da vítima, posteriormente comprovada falsa (por meio de Justificação Criminal), exatamente como ocorre no presente caso, merecerá o Requerente ser absolvido, haja vista que ausentes outros elementos de prova aptos a sustentar a condenação:

REVISÃO CRIMINAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. CONDENAÇÃO. PALAVRA DA VÍTIMA. RETRATAÇÃO. JUSTIFICAÇÃO. ABSOLVIÇÃO. 1. O decreto condenatório amparado na palavra na vítima para reconhecer a existência do crime de estupro de vulnerável deve ser desconstituído quando houver a retratação dela em audiência de justificação e não existir elementos capazes de desfazer a nova versão apresentada acerca dos fatos. 2. Revisão criminal conhecida e provida.

(Relator (a): Elci Simões de Oliveira; Comarca: Capital – Fórum Ministro Henoch Reis; Órgão julgador: Câmaras Reunidas; Data do julgamento: 12/09/2018; Data de registro: 13/09/2018 – grifei).

REVISÃO CRIMINAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL (ART. 217-A DO CPB). RETRATAÇÃO DA VÍTIMA EM JUSTIFICAÇÃO CRIMINAL. ABSOLVIÇÃO. INDENIZAÇÃO POR ERRO JUDICIÁRIO. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA DO ESTADO. AUSÊNCIA DE DOLO OU CULPA. IMPROCEDÊNCIA.

I – A base para a condenação do revisionando foi a palavra da vítima. Todas as demais provas da ação criminal possuem amparo nela.

II – Com a retratação da vítima em justificação criminal, a principal prova para a condenação do revisionando foi ilidida. Sem ela, os demais elementos probatórios não são, por si só, aptos a embasar a condenação. Impõe-se, assim, a absolvição do requerente pela ausência de provas suficientes para comprovar a existência do fato e amparar um decreto condenatório (art. 386, II e VII, do CPP).

(…)

V – Revisão Criminal conhecida e parcialmente provida.

(TJ-AM; Revisão Criminal nº 4003823-38.2014.8.04.0000; Rel. Des. Ari Jorge Moutinho da Costa; Data de julgamento: 01.07.2015; Câmaras Reunidas; Publicação: 02.07.2015 – grifei).

14. Portanto, uma vez que o depoimento da suposta vítima, prova essencial da condenação que ora se busca revisar, é comprovadamente falso, deve o Requerente ser absolvido, por ausência de provas suficientes para comprovar a existência do estupro e amparar o decreto condenatório (art. 386, II e VII, do CPP), tudo com fulcro no art. 626 do CPP.

IV – DA TUTELA ANTECIPADA DE URGÊNCIA

15. A presente ação revisional necessita de tutela antecipada em caráter de urgência, porquanto se fazem presentes todos os requisitos para a sua concessão.

16. De saída, ressalta-se a possibilidade jurídica para a concessão de liminar em sede de Revisão Criminal. Trata-se de aplicação subsidiária do Código de Processo Civil, em especial, da antecipação de tutela. Isto porque, no processo civil, a doutrina e a jurisprudência acatam a possibilidade da concessão de tutela antecipada em Ação Rescisória, que tem o mesmo objetivo da Revisão Criminal: desconstituir uma sentença transitada em julgado.

17. Nesse quadro, diante da ausência de previsão legal no Código de Processo Penal, aplica-se subsidiariamente a Codificação Processual Civil, com esteio no art. daquela legislação (“a lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como suplemento dos princípios gerais de direito”).

18. Esse é o entendimento do doutrinador e Promotor de Justiça Renato Brasileiro de Lima, que exemplifica:

“Basta supor a hipótese em que, após o trânsito em julgado de sentença condenatória, pela prática de um homicídio, descubra-se que a suposta vítima estaria viva. Neste caso, evidenciado o periculum in mora (v.g. condenado preso) e o fumus boni iuris, parte da doutrina sustenta ser possível a concessão das referidas medidas de urgência” (LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Vol. Único. 6. ed. rev., ampl. e atual. – Salvador: Ed. JusPODIVM. 2018. pág. 1840).

19. Assim, nos termos do artigo 300 do Código de Processo Civil, “a tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo”.

20. No caso vertente, a probabilidade do direito invocado está comprovada pela retratação a vítima, tanto na carta que escreveu a próprio punho, quanto pela sua retratação em sede de Justificação Criminal.

21. A palavra da adolescente, repita-se à exaustão, foi a única prova essencial para a condenação do Requerente e, uma vez retratada, há grande probabilidade de que a sentença e o acórdão condenatório venham a ser rescindidos, conforme se observa pela jurisprudência deste Egrégio Tribunal, alhures exposta.

22. Obtempere-se, por oportuno e necessário, que probabilidade não é sinônimo de certeza. Por assim dizer, não é necessária a certeza quanto ao direito pleiteado pelo Requerente, mas tão somente a probabilidade do direito invocado. No caso dos autos, com a retratação da vítima, no mínimo, foi instaurada a dúvida sobre a ocorrência ou não dos fatos narrados na denúncia.

23. O perigo de dano dispensa maiores fundamentações. O Requerente está na iminência de ser preso por um crime que não cometeu, cuja sentença foi baseada em uma prova comprovadamente falsa. Na prisão, como é de conhecimento geral (levando em consideração que a condenação foi por um crime sexual envolvendo criança), o Requerente passará por todo tipo de humilhações, podendo até mesmo ser estuprado, assassinado, contrair doenças etc.

24. Desta feita, presentes o fumus boni iuris e o periculum in mora, de rigor a concessão da tutela antecipada de urgência para suspender os efeitos da condenação nos autos do processo nº 123456789 até final julgamento desta Ação De Revisão Criminal.

IV – DOS PEDIDOS

Forte nas razões expendidas, REQUER:

1) A concessão da tutela antecipada de urgência, para suspender os efeitos da condenação nos autos do processo nº 123456789 até o julgamento do mérito desta Ação De Revisão Criminal, expedindo-se salvo-conduto ou ordenando a devolução do mandado de prisão expedido em desfavor do Requerente (ou Alvará de Soltura se o Revisionando estiver preso);

2) Seja julgada procedente a presente Revisão Criminal, absolvendo-se o Requerente do crime de estupro, com fulcro nos artigos 386, II e VII, c/c art. 626, ambos do Código de Processo Penal.

Nestes termos,

Pede deferimento.

Manaus/AM, 04 de outubro de 2018.

Brendo De Castro Martins

Advogado

OAB/AM 13.009